• {Kankaku Tales} Capítulo I — Um nome para ser lembrado



    Como se escolhia nome para uma guilda?, pensou Gharial olhando para seus companheiros reunidos na mesa, cada um sentado olhando para o crocodilo que parecia estar nervoso a beça afinal aquela era a primeira reunião da guilda e seria uma boa vinda para as novatas que se sentavam à outra ponta da mesa perto do ovo que traria mais um membro dali há algumas semanas.

    — Então, hã... — nervosismo sobressaía em sua voz, Sobek, seu pai e líder da poderosa e antiga guilda The Monsoon, estaria envergonhado de sua incapacidade de fazer discursos diante de seus companheiros. — Senhoras, digo, senhoritas e senhores e hã... ovo?

    Um nó se formou em sua garganta, Gharial podia sentir todos julgarem-o com seus olhos e era possível ouvir uma breve risadinha da recém-chegada Arabella, a Bellsprout, que se sentava próxima a Ilya que palitava parecia mais prestar atenção em suas unhas que tudo.

    — Vai com calma, Ghar — disse Ilya. — É só a primeira reunião da nossa, hã, qual o nome da nossa guilda mesmo?

    — A primeira reunião — disse baixinho, aquela seria a primeira de muitas. — Hã, então, acho que é para isso que nos reunimos, para decidir o nome da nossa guilda, alguma gestação? Quero dizer secessão, hã, secreção, droga! — ele estava nervoso, muitíssimo nervoso, errando as palavras, gaguejando, ele sentia seu pai o olhando e o desprezo em seus olhos vermelhos. — Digo, sugestão!

    A sala de reuniões improvisada tinha ficado em silêncio, ninguém tinha dado um pio, tudo estava quieto, quieto até demais, alguém precisava quebrar aquele silêncio ensurdecedor. Os membros estavam calados, o único som emitido tinha vido da boca de Stoker e tinha sido um bocejo.

    — Hã, nenhuma? — perguntou ele.

    Arabella, a recém-chegada, havia levantado a mão.

    — Pode falar, Arabella.

    — Que tal The Dancing Vines? — sugeriu enquanto remexia seu corpo, era natural dela esse gingado de seu corpo flexível.

    — Mas nenhum de nós temos vinhas — disse Ilya. — Mas eu sou um ótimo dançarino.

    — Pois eu não danço — disse Stoker bocejando.

    — Mas você não faz nada, meu caro Stoker — disse Morella, a Spinarak que tricotava algo com seus próprios fios de seda. — Tudo que você faz é comer e dormir, é um preguiçoso de carteirinha.

    — E ainda por cima é teimoso — complementou Ilya. — Admita, meu caro, você é preguiçoso e teimoso ainda por cima.

    — CALÚNIA — gritou Stoker apontando seu indicador para o símio que revirou os olhos.

    Esse foi o estopim para uma grande discussão. Houve gritos entre os membros, cadeiras voaram, alguém tinha levado um tapa bem forte na cara, o máximo que o jovem Totodile tinha conseguido fazer no meio daquele caos era proteger o ovo com seu corpo e abrigar-se debaixo da mesa.

    O que seu pai faria numa situação dessas?

    Essa pergunta ecoou em sua mente. Seu pai em uma situação dessas teria ficado firme e chamado atenção da guilda e fazer de tudo para acalmá-la. Era verdade sobre o companheiro ser preguiçoso, mas isso não precisava resultar numa briga.

    — Senhor — disse uma voz feminina, era Surasa, a Dunsparce, com seu semblante enigmático e sério, ele tinha decidido que ela seria sua assistente nos assuntos da guilda bem antes da reunião e parecia estar calma enquanto os outros membros se atacavam. — Por quê não pede para eles se acalmarem, um intervalo seria bom para que os nervos de nossos amigos esfriassem.

    — Obrigado, Surasa — disse ele. — Você tem as melhores ideias, não sei o que seria de mim sem você.

    Isso, um intervalo, era disso que ele e os outros precisavam, talvez com a cabeça mais fresca ele conseguiria pensar em algo digno dos discursos de seu pai e talvez todos estariam melhor. Ele levantou-se de debaixo da mesa e com o ovo do futuro companheiro de jornada em braços ele deu um pigarro para chamar a atenção de todos.

    — Senhoritas e senhoritos — disse num tom autoritário imitando a voz de seu pai e todos voltaram seus olhares para Gharial na ponta da mesa. — Eu creio que todos precisamos de um momento para nos acalmarmos e em seguida retomar a reunião, então eu proponho um recesso de dez a quinze minutos, um breve intervalo, para vocês esfriarem a cabeça e virem com ideias novas para o nome de nossa guilda.

    — Agora que a coisa estava ficando boa? — disse Arabella segurando Morella pelo pescoço.

    — Que Bellsprout estranha — murmurou Stoker limpando seu rosto.

    — Eu que o diga — concordou Ilya.

    — Creio que nenhum de nós está no melhor humor, mas um ar e um tempinho para acalmar os nervos será bom — continuou Gharial. — Em quinze minutos voltaremos, tentem fazer as pazes, caminhem, respirem um pouco de ar fresco e depois continuamos, tudo entendido?

    Alguns murmuraram concordando, Stoker deu de ombros, Surasa respirou aliviada e sussurrou um elogio na orelha de Gharial e assim saíram um a um da sala improvisada de reuniões até sobrar Arabella e Gharial. Arabella tinha saído por último um pouco insatisfeita, batendo o pé e murmurando muito.

    — Não pode nem armar um barraco, aff — disse baixinho consigo mesma. — Não pode nem rolar uma porradinha por cinco minutos sem perder a amizade que o cara já manda parar, vê se pode uma coisa dessas. Ninguém me respeita nessa cidade.

    Ele olhou estranho para a Pokémon do tipo planta conforme e meneou a cabeça confuso.

    — Essa Bellsprout é de lua. Louquinhazinha da silva — disse movimentando o dedo em espiral ao lado da sua cabeça, mostrando figurativamente o quão “louca” era sua nova companheira de jornada e guilda.

    O crocodilo suspirou e massageou as têmporas, ele realmente precisava de um intervalo, a reunião não tinha nem dez minutos e o caos tinha estourado, será que seria assim sempre?

    [***]

    A lua estava encoberta pelas nuvens que mal dava para vê-la, mas era em noites assim que ele se lembrava de sentar-se com sua mãe do lado de fora da toca e observar as formas das nuvens quando não dava para inventar constelações.

    — O quê que eu vou fazer? — perguntou-se olhando para o céu noturno, as nuvens cinzas mal iluminadas pelo disco lunar. — Mãe, a senhora que tinha ideias incríveis, eu não tenho nem metade da sua capacidade. Por favor, se estiver aí em cima, me dá uma ideia pro nome da guilda.

    Ele continuou a fixar seu olhar no céu esperando respostas, mas nada, ele tinha alguns minutos de intervalo e não conseguia pensar em um nome sequer para a guilda que estava fundando.

    Ele suspirou e levantou-se do tronco caído onde sentava, era fútil pensar num nome, talvez sua guilda estava fadada ao fracasso e nada ele poderia fazer senão voltar para a reunião e ouvir as sugestões de seus amigos, talvez The Dancing Vines não fosse tão ruim quanto ele pensava ou talvez Arabella fosse tantã.

    Ele caminhou até dentro da sede temporária da guilda e na soleira da porta, bem no limiar, estava Surasa sentada também admirando o céu nublado como ele.

    — Está melhor, senhor? — perguntou ela.

    — Sim... — disse ele, era mentira, não estava nada bem. — Não, não estou bem, eu estou estressado, nervoso, com minha cabeça rodando, me sinto tão...

    — Deslocado? — sugeriu ela.

    — Não... sim... talvez — disse. — É que é tão difícil escolher um nome para a guilda, sem falar da responsabilidade toda que vem, meu pai estaria rindo de mim a essa altura.

    — Seu pai? — perguntou a serpente.

    — Sim — disse ele. — Meu pai é Sobek Neilos, ele é líder de uma guilda poderosa e antiga e sei lá, acho que eu me espelho muito nele.

    — Você se espelha ou tenta imitá-lo, senhor?

    — Hã, como assim? — Gharial estava confuso com a pergunta da amiga.

    — Você na hora que tentou fazer todos ficarem quietos engrossou a voz e pareceu imitar alguém, era seu pai?

    — Sim.

    — Então você o imitou — concluiu Surasa. — Há uma grande diferença entre um e outro e meu senhor, creio que não será preciso imitá-lo ou espelhá-lo, você é único e sei que consegue ser original — a serpente sorriu para ele e ele retribuiu de volta. — Ah, adorei este intervalo, deveríamos ter mais, amo um tempo livre para poder sentar na beira da porta e olhar o céu.

    — Na beira?

    — Sim — respondeu. — É ótimo, pois não estou nem dentro e nem fora da sede, mas no meio do caminho, no espaço entre esses dois extremos, é dentro e ao mesmo tempo fora, mas simultaneamente nenhum dos dois. — disse ela num tom filosófico. — É paradoxal.

    Gharial coçou o queixo, algo vinha em sua mente. Um limiar de porta, onde não é dentro e muito menos fora, mas algo entre ambos e ao mesmo tempo uma coisa única, algo parecido com o crepúsculo, quando não é dia e muito menos noite, mas algo entre eles, um tempo onde o extraordinário acontecia e ele desejava isso, pois em sua mente era aquele tipo de inatingível que queria para sua guilda, nada como a guilda de seu pai a The Monsoon ou a famosa guilda Dragon’s Blood de Sir Priamus de Blackthorn. Eles seriam como o crepúsculo, como os limiares de uma porta, o morno, a cor cinza, nem uma coisa e muito menos outra, mas um entre, um intervalo onde o único limite deles era a imaginação e esta se encontrava além de qualquer limite imposto por Pokémon ou humano, pois era graças a ela que Gharial e seus companheiros de guilda poderiam ser quem quisessem e sem ninguém para julgá-los.

    Eles seriam Kankaku, que significava intervalo, um espaço entre dois extremos, entre duas coisas.

    — Poderia me dar licença, Surasa? — perguntou para a companheira.

    — Toda, meu senhor — ela se afastou um pouco do limiar da porta e permitiu a apssagem do Totodile que correu para dentro da sede.

    O crocodilo correu até a sala de reuniões, os outros já estavam chegando, ele se posicionou diante de seus companheiros de equipe e com um sorriso triunfante no rosto formulava o discurso na sua cabeça, ele já tinha decidido o nome da guilda, agora precisava ver se seus compatriotas iriam concordar, mas ele sentia que talvez seria unânime a escolha do nome.

    — Senhoritas, senhores, ovo — disse, dessa vez sem imitar o tom de voz do seu pai. — Como sabem hoje é nossa primeira reunião, a primeira de muitas. Somos muito jovens, de fato, mas estamos destinados a conquistar o mundo seja das batalhas da Liga, dos concursos ou a Batalha da Fronteira...

    Stoker bocejou.

    — Vá logo aos afinais, deixa de enrolação, cara — disse o escorpião-morcego.

    — É, vai logo — disse Ilya.

    — Preferia ter ido ver o filme do Pelé — murmurou Arabella.

    — Estou ansiosa em saber da nossa primeira pauta — disse Morella não tirando os olhos de seu bordado, espera, ela não estava tricotando?

    — A nossa primeira pauta seria sobre o nome da nossa guilda — continuou ele. — Bem, alguns de vocês sugeriram nomes como nossa companheira Arabella...

    — Eu mesma, Arabella Desirée Helöise Saint-Yves de Lavandille, a Bellsprout jamais falada, a Pokémon já mais igualada — interrompeu ela. — Conhecidíssima como a noite de Lumiose, afiada com a espada de um Samurott...

    — Tá, tá, entendemos Arabella — Gharial revirou os olhos. — Mas enfim, depois de muito pensar eu já decidi um nome para a nossa guilda e quero saber a opinião de vocês.

    — Diga, meu senhor — disse Surasa com um sorriso.

    Kankaku.

    Todos olharam para Gharial, a sala calou-se, até Arabella que falava mais que vinte Chatots tinha calado-se, então murmúrios começaram a ecoar pela sala de reuniões. Será que tinham achado  o nome estúpido?

    — Um ótimo nome — disse Ilya.

    — Realmente — concordou Morella que havia terminado seu bordado e colocado sobre a mesa, no tecido havia os kanjis formando o nome da guilda em ponto-cruz. Impressionante o trabalho da Pokémon aranha com agulha e sua própria seda.

    — Meh, eu tô com muita preguiça pra pensar um nome, vai esse mesmo — comentou Stoker. — Não é como se alguém fosse ter uma ideia melhor.

    — Preferia The Dancing Vines — bufou Arabella um tanto frustrada.

    — Um excelente nome, senhor Gharial — disse Surasa.

    — Então é isso, a nossa guilda se chamará Kankaku — disse orgulhoso e todos concordaram alegres.

    Um sorriso estampou o rosto de Gharial e dos seus companheiros, de agora em diantes eles seriam Kankaku, o intervalo entre as coisas, quando algo extraordinário acontecia, não se limitando aos extremos inatingíveis, mas onde eles poderiam ser quem quisessem e tendo como limites apenas as suas imaginações.
  • ♪ Pokémon Jukebox vol.1 ♫


    Das artes a música é a primeira delas, a arte das musas, a mais antiga forma de expressão artística que nos acompanha desde os primórdios da humanidade. Ouvir música é natural para nós como uma segunda língua, não há um momento em nossa vida que não possa ser definido por uma música e aqui eu trago-lhes a soundtrack oficial de Neo Johto então coloquem os fones de ouvido e apreciem músicas que lembram nossos personagens favoritos e momentos da história que nos cativaram tanto.

    Tema de Neo Johto — [ Na Estrada - Clube5 ]
    Tema de Lyra — [ Sit Still, Look Pretty - Daya ]
     Tema de Aleks — [ What is Love? - TWICE ]
     Tema de PJ — [ The Beginning - ONE OK ROCK ]
    Tema de Luca — [ Kibou no Tsubasa - Takaishi Takeru/Junya Enoki (Digimon Adventure tri. OST) ]
    Tema de Silver — [ Heathens - Twenty Øne Piløts ]
    Primeira apresentação de Aleks (cap. 5) — [ Yoake no Ryuuseigun - SCANDAL ]
    Lyra e Dunsparce na Caverna Escura (cap. 9) — [ Kataware-doki - radwips (Kimi no Na Wa OST) ]
    Tema de Kankaku Tales — [ Kanzen Kankaku Dreamer - ONE OK ROCK ]
    Playlist em expansão... 

    [Em breve playlist no Youtube e Spotify]
  • Especial — Kankaku Tales


    間隔 - Kankaku. Do japonês, intervalo. Um espaço entre dois extremos. Um lugar onde o extraordinário acontece e era isso que eles eram, extraordinários.
    Gharial e seus companheiros de guilda almejam o extraordinário, mas o caminho que eles querem traçar está cheias de obstáculos os quais eles devem ultrapassar se quiserem chegar ao topo e é nestes contos que acontecem no intervalo da história principal que nos aprofundamos mais no mundo destes Pokémon que acompanham nossos personagens.

    Capítulos:

    i. Um nome para ser lembrado
    ii. Os espólios [em breve]

    Personagens:
    (clique nas imagens para saber mais sobre os personagens)


    Gharial | Ilya | Gligar
    Morella | Surasa | Arabella

  • Capítulo IX — Na Escuridão Profunda


    Todos os olhares na sala de estar voltaram-se para Lyra.

    Ela se sentiu como numa das cenas antes do clímax de seu livro, onde os irmãos heróis e seus aliados estavam reunidos acima de uma colina em Goldenrod e discutiam o plano de guerra. Lyra sentia-se como Akimitsu quando perguntara sobre o porquê do castelo do daimyö Katsurö ter um fosso com Feraligatr vorazes. Era como se ela tivesse feito uma pergunta redundante.
  • Neo Aliança Apresenta: NEO CONEXÕES!!!


    Olá, caríssimos e queridíssimos leitores! A pandemia continua forte no mundo a fora e sentimos que pouco a pouco estamos nos separando socialmente de nossos colegas e amigos.

    Nós da Neo resolvemos mostrar para o mundo que é possível estar unido mesmo no isolamento social, portanto iremos fazer esta semana ser uma semana especial no blogs da aliança. Serão postados capítulos todos os dias a partir o do dia de Segunda-feira!


  • Capítulo VII — Longas Sombras

    Silver se lembrava de uma época em que ele não precisava roubar ou fugir, de quando ele podia ser só um menino comum e pensar que o pai era apenas um líder de ginásio e um homem de negócios importante e não um criminoso. Uma época em que sua mãe e ele podiam ser felizes, uma época em que sua infância podia ser considerada normal, mas aí que está o questionamento: A infância de Silver um dia já fora normal?

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