quinta-feira, abril 23, 2026


Ren

Subterrâneo das Ruínas de Alph

Segunda-feira, 16 de maio, ano 30 (Era Tōitsu)


— Diante de vocês está a tumba do último rei da primeira civilização Alph: Alphæus, o Sem Estrelas.

Assim que as palavras saíram da boca de Benjamin Brandon, o estômago de Ren deu um salto. Náusea e tontura o atingiram de uma vez, como se tivesse sido preso na montanha-russa mais rápida do mundo e forçado a aguentar trezentas voltas seguidas. Seus ouvidos zumbiam, a cabeça latejava e, no fundo do nariz, ainda sentia o cheiro acre de sangue seco.

Brandon estava ali, com um sorrisinho patético: o tipo de expressão que um homem usa quando está convencido de que ele é o protagonista do mundo e os outros à sua volta são os coadjuvantes. O pai de Ren tinha uma expressão para isso: estar com o rei na barriga. Era assim que Benjamin Brandon estava

O arqueo-paleontólogo abriu os braços num gesto bastante teatral diante das enormes portas de pedra, porém nem Ren ou Luca pareceram impressionados. Apenas Khoury parecia impressionado com o circo que Brandon colocava a frente deles. O rapaz de óculos tinha os olhos arregalados de maravilha, como se estivessem prestes a entrar num parque de diversões, e não num túmulo. Ele era basicamente um cachorrinho entregue às migalhas de atenção e expectativa que o explorador galariano as vezes o dava.

— Somos os primeiros em milênios a testemunhar isto, meus rapazes — declarou o arqueo-paleontólogo galariano. — Estamos prestes a fazer história.

E você está prestes a me fazer vomitar, Ren quis dizer, mas sua voz não saiu. Em vez disso, fixou o olhar nas portas de pedra: imensas placas gravadas com sinuosos glifos Unown.

Eles o encaravam. O olhar deles acompanhavam-o, mesmo sendo apenas hieróglifos entalhados na rocha maciça. De alguma forma Ren conseguia lê-los como tinha sido momentos atrás quando se deparou com eles quando estavam a caminho das catacumbas.

Nas portas ele conseguia ler claramente a inscrição na parte central das portas. Não era um idioma que ele conhecia, mas ao mesmo tempo não era-lhe alienígena. Seus olhos vagaram letra por letra, linha por linha, formando sílabas e palavras completas. Logos as palavras costuravam-se em sentenças e quando ele terminou de ler seus olhos apenas arregalaram e ele recuou.


Aqui jaz o Sem Estrelas, que ao seu próprio povo condenou e os trocou, nas terras geladas e distantes, por saberes proibidos. Saberes roubados além dos céus; saberes que não eram para mãos mortais possuir!

Maldito sejas, ó Sem Estrelas, Rei do Nada, Último Rei dos Alph.

Deita-te e dorme. Dorme e jamais despertes. Não és senão um vulto vazio, uma carcaça sem alma.

Que teu nome seja consumido pelo oblívio; que teu legado seja sepultado sob mil milênios e mil tempestades. Que o mundo te esqueça e, no esquecimento, enterre também a memória daquela noite,  quando tu e o Sábio Tolo sangraram e amaldiçoaram esta terra sob o céu sem lua.

Sinjoh.


Sinjoh. Aquele nome estranho de novo, parecia uma mistura estranha de Sinnoh e Johto, mas ainda assim Ren nunca tinha ouvido falar antes. Ren engoliu em seco, mas não esperava sentir o gosto salgado e cúprico de fleuma descer pela garganta. Luca o encarou nos olhos assustado.

— Seu nariz está sangrando de novo — fala o menor.

— É, eu percebi — ele posicionou o lenço, já sujo do sangramento anterior, na narina e voltou a encarar Benjamin Brandon que estava com aquele estranho aparelho em mãos de novo, para o desprazer de Ren. — Eu tô de boa, Lucky. Não precisa se preocupar comigo.

— Bem, meus jovens, vamos logo, a história não espera por ninguém e para darmos o primeiro passo para a história precisaremos da chave para abri-la — ele pegou o Neo Reticulador e apertou um botão, girando uma válvula em seguida. — Unown, eu os chamo. Ajudem-me a abrir esta porta.

Algo tiniu dentro da orelha de Ren. Ele encarou as portas e as paredes, viu pelas frestas entre os tijolos da paredes e do chão emergir a forma bidimensional dos Pokémon Símbolo. Seus olhos ciclópicos estáticos no meio das órbitas enquanto eram puxados para os arredores de Brandon como limalha para um ímã.

— Estas portas foram seladas usando os Unown e apenas com eles conseguiremos abri-la — fala o explorador galariano enquanto apertava botões e girava válvulas em seu aparelho reticulador, as ondas emitidas por ele machucando os tímpanos de Ren. — Abram-na.

Os Unown encararam a porta e os símbolos entalhados na rocha brilharam  em vermelho, fazendo-a tremer. Ren sentiu a cabeça doer enquanto um tinido perfurava suas orelhas. Ele só pôde tapar as orelhas enquanto as portas abriam-se e uma nuvem de poeira se elevava o que fez todos tossirem. Assim que as portas se abriram os Unown dispersaram como se estivessem apavorados.

Quando a poeira abaixou, Ren conseguiu ver o interior do salão à frente. Uma câmara com o teto abobadado e paredes repletas de pinturas, em cada uma parecia haver uma história a ser contada. Em todas as paredes haviam duas pessoas que se repetiam: um rei usando um diadema com estrelas no relevo e um homem de barba longa e trançada em robes brancos segurando um cajado.

O Rei Sem Estrelas e o Sábio Tolo, supôs Ren se lembrando das palavras que havia lido nos glifos dos Unown. Haviam muitos murais com estes dois pelas paredes acompanhados por inscrições na língua dos Alph e era tão estranho conseguir ler aquilo mesmo nunca tendo aprendido até alguns minutos atrás. Os murais contavam uma história da direita para a esquerda.

O primeiro mostrava o rei, vestido com mantos de verde e púrpura, apertando a mão do sábio, trajando vestes brancas ornadas de ouro. Atrás deles, seus povos observavam em silenciosa solenidade, sobre uma planície coberta de neve. À margem da cena, dois Unown flutuavam, um em forma de gancho, o outro como uma haste, seus olhos semicerrados curvando-se nas formas de um ponto de interrogação e de um ponto de exclamação.


Numa terra de neves além da serra de espinhos negros e das montanhas prateadas onde habitavam os Alph, e ao sul do diadema dos céus onde residiam os Celestica, o Rei Coroado de Estrelas encontrou o Sábio Dourado. E na cidade sagrada de Sinjoh renovaram o pacto de amizade que seus antepassados haviam jurado em eras passadas. Dos céus, o Todo-Poderoso deu-lhes uma joia, uma opalita bela que continha um poder oculto.


O mural seguinte mostrava o rei e o sábio ajoelhados diante de um altar triangular de pedra, sobre o qual repousava uma monumental efígie. Ao centro erguia-se um corcel branco e quimérico, de face acinzentada e olhos de profundo jade; em torno de seu corpo e de seus cascos brilhava um anel dourado. O ser irradiava uma aura divinal e soberana como se não esperasse a adoração do rei e do sábio à frente deles.


Alphaeus e Grex buscaram, em devoção inabalável, desejavam ser como o Primordial que chamou o universo do vazio à existência. Ser como Ele, o modelador de tudo o que é, o de mil mãos, pai e mãe dos dois regentes: Diamante, guardião do tempo, e Pérola, guardião do espaço. Os Celestica chamavam-No de Sinnoh-kamuy. Os Alph chamavam-No de Aquele que Veio Primeiro, Avalokiteshvara. Aqueles que avizinham os Alph o chamam de Ame-no-Minakanushi-no-Mikoto


O terceiro mural mostrava o Sábio e o Rei contemplando, do alto de uma escarpa, a cidade sagrada de Sinjoh. Cercada por uma colossal muralha talhada na pedra viva, suas ruas serpenteavam em traçados intricados, formando o arco dourado da criatura que ambos veneravam, convergindo todas para o grande templo no coração da cidade. Quatro torres erguiam-se nos cantos nordeste, sudeste, sudoeste e noroeste da cidade, como velas em um bolo de aniversário, elas pareciam ser feitas de cristal iridescente como a mnamita no Neo-Reticulador de Benjamin Brandon.

Acima das mãos erguidas do Rei e do Sábio pairava a esfera radiante e iridescente mencionada no mural anterior, aquela deveria ser a opalita. No mural a esfera era uma pérola verde do tamanho de uma bola de beisebol recoberta em veios dourados. Ela era envolta por um halo dourado em um aro que lembrava o da divindade de um dos murais.

Ren continuou lendo o que havia escrito no mural.


O Rei Coroado em Estrelas e o Sábio Dourado, em posse da opalita, um dos presentes Dele Que Nasceu no Caos Primitivo, invejaram em tornar-se como o Mesmo, e assim conceberam um plano audacioso: em cento e oito luas, reconstruíram a cidade sagrada para que espelhasse os arcos do Primordial. Em cada uma das quatro torres colocaram mecanismos forjados de duas rochas: uma encontrada na montanha da Coroa dos Céus na terra dos Celestica, tocada pelo poder do Primordial, e outra que era entesourada pelos Alph, extraído do reino d’Os Olhos. E ali, observando a cidade que reconstruíram, expuseram seu intento nefasto: tornar-se como o Primordial, usurpar Seu poder e fazer-se deuses de um mundo renascido. Para tal, barganhariam as almas de homens e de ’mon. O Rei e o Sábio aguardavam apenas a hora designada: a noite sem lua e o dia sem sol.


Ele parou de ler os murais, quando ele, Luca e Khoury, todos os três seguindo Benjamin Brandon que, automaticamente, ia em direção a um tablado no centro onde um esquife de madeira esmaltada e polida, coberta por uma camada grossa de poeira estava posicionados. Correntes de ferro envolviam o esquife, prendendo-o ao chão como se pudesse ir à algum lugar.

— Isso é… — disse Khoury que, até então, estava calado.

— Puta merda — diz Luca impressionado.

— Um caixão? — indaga Ren.

— Depois de tanto tempo — disse Benjamin Brandon se aproximando do esquife, passando a mão pela poeira que o cobria. — Depois de vários sítios arqueológicos e tentativas falhas eu consegui. Eu consegui finalmente. A tumba de Alphaeus, o Sem Estrelas!

O arqueo-paleontólogo sorriu de orelha a orelha em triunfo. O brilho dos olhos do seu Bronzor davam a seu rosto uma sombra sinistra que até assustaria Ren se não fosse o fato de já terem presenciado coisas piores naquela tarde.

— Depois do fracasso em Sinnoh nas Ruínas de Solaceon em 2009 e nas de Tanoby em 1997 eu achei que tudo estava perdido — falou ele para si mesmo. — Eu finalmente cheguei e agora não posso parar. Young’uns se não fosse por vocês eu jamais teria chegado onde cheguei e agora eu posso dar meu próximo passo.

— Que seria levar isso para a superfície, não é? — perguntou Khoury em uma tola inocência. — O Professor Hale vai ficar em choque quando ver o que descobrimos aqui. Meu Ho-Oh, eu acho que com isso eu vou com certeza pular alguns períodos na Goldenrod Tech! Eu já sinto o gostinho de uma tese de conclusão de curso e um certificado de professorado! Já imaginou, Professor Khoury Saint-James, o mais jovem professor de Johto?

Ren olhou torto para o garoto nerd desacreditado. Luca também parecia desconfiado do que estava acontecendo, mas ambos não se manifestaram já que Benjamin Brandon em toda sua presunção não permitia que ninguém a não ser ele falasse:

— Ah, Khoury, my laddie, infelizmente nem Spencer Hale e nem Osmunda Wehrii poderão ter os louros do que encontrei — diz ele. — E bem menos você, meu jovem. Infelizmente, a partir daqui meu próximo passo é continuar o que Alphaeus falhou no passado distante. Agora é hora de começar o próximo passo.

Ele pegou o Neo Reticulador. Segurando o estranho aparelho que parecia um telefone tijolão, ele estendeu sua antena e girou suas válvulas e apertou os botões. Os Unown que já estavam presentes por ali começaram a circundar ele e os meninos, sendo puxados para Brandon e o circundando como luas atraídas pelo puxão gravitacional de um planeta.

O som do aparelho causou outro diapasão na cabeça de Ren que se prostrou de joelhos e sentiu, de novo, o sangue escorrer pelo nariz. Os Unown passavam por ele, chiando, chorando por ajuda, já que pareciam incapazes de se livrar das ondas produzidas pelo aparelho de Brandon. Ren só conseguiu gritar.

Luca abaixou a encubadora e foi ao encontro do amigo e o abraçou, encarando. Ren sabia que Luca não podia ouvir o que ele ouvia, nem Khoury, mas até mesmo aquele nerd percebia que havia algo de muito errado em relação a Benjamin Brandon.

— D-do-do que você está falando? — gaguejou Khoury olhando arregalado para Benjamin Brandon.

— Já se perguntou, my laddie, se você tivesse acesso a um poder ilimitado, o que você poderia fazer com ele? — alfinetou o explorador estrangeiro. — O que você poderia fazer se pudesse ser igual a um deus? Não. O que você faria se você fosse um deus.

— Isso é… isso é loucura — diz Luca encarando o arqueólogo, enquanto acudia Ren que não conseguia fazer nada a não ser tapar os ouvidos em vão enquanto ouvia o diapasão. — Você enlouqueceu?

— Já me chamaram de lunático antes, Luca, my young’un — ele disse, sem parar com o ar de seriedade e soberba. — Mas questione-se: o que faria se você fosse um deus? Pois foi isso que o rei desta civilização uma vez questionou.

Ele começou a andar de um lado para o outro e gesticular como um professor em uma palestra.

— O rei dos Alph e um sábio do povo Celestica fizeram esse questionamento, afinal, ambos seus povos estiveram sempre em contato com os Unown — continuou em um tom professoral. — Eles sabiam a capacidade do Hidden Power destes Pokémon e como eles detinham um fragmento minúsculo do poder d’O Primordial.

— O Primordial? — indaga Luca.

— Arceus, meus caros — ele responde em voz alta, os Unown se agitam. — O Todo Poderoso Sinnoh. Imagine ter uma partícula do poder de Arceus e ainda assim serem seres tão… tão simplórios e patéticos. Anões à própria grandeza que possuem!

— Do que está falando? — diz Luca. — Arceus não existe. Existe? Tipo, não é só uma lenda?

Cinicamente, o arqueólogo riu e abriu as mãos de forma teatral.

— Lendas são apenas verdades que escolhemos esquecer, minha criança — diz ele sem encarar nos olhos dele. — O que chama de lenda era o que os Alph acreditavam. Arceus é o ser que criou o nosso mundo e os antigos já sabiam. O reverenciavam como um deus, receberam uma joia dele para que pudessem moldar o mundo em uma terra nevada distante, mas isso para eles não era o suficiente, e se pudessem ser como ele? Foi isso que Alphaeus… — ele bateu no caixão com a mão espalmada, levantando pó. — … questionou. E é por isso que vim aqui hoje.

— Isso é loucura — repetiu Luca.

— Dr. Brandon, você está se escutando? — indaga Khoury. — Isso é alguma brincadeira, não é? Estamos de frente para um achado arqueológico de valor inestimável. Po-poderíamos estar mostrando isso para o mundo. P-p-poderíamos mostrar que a tumba de Alphaeus é real. Que o rei dado como um mito é real.

— Tolo… não estou aqui para provar nada a ninguém. — Seu rosto endureceu. — Mesmo se recebesse todos os louros por esta descoberta, não seria o suficiente. Não depois do que vi em Solaceon… há sete anos. — Seus olhos se estreitaram. — Alphaeus chegou perto. Eu vou chegar mais longe. Ninguém pode me parar!

Ren já não ouvia direito as palavras. Cada som era distorcido pelo zumbido penetrante que tinia não nos seus ouvidos, mas dentro do seu cérebro, era como se ele não consegue sequer pensar. O gosto metálico tomava o fundo da língua e da garganta da fleuma que já tinha endurecido por conta do sangue seco no nariz. Seus dedos formigavam, e a pressão na nuca o fazia querer vomitar.

Os Unown tremiam no ar, como se gritassem silenciosamente por socorro.

Nos ajude, era como se dissessem para ele. Nos salve!

— Então pare isso! — vociferou Ren, e sua voz ecoou como um trovão.

Antes que Benjamin Brandon pudesse reagir, Ren se lançou contra ele e desferiu um soco brutal no nariz do arqueólogo. O estalo seco ressoou, e Brandon caiu sentado, cambaleando. Segurou o nariz, de onde jorrou um fio de sangue que rapidamente tingiu seu bigode.

O Neo-Reticulador caiu no chão. O som provocado pela queda fez com que a cabeça de Ren doesse ainda mais e os Unown se dispersassem pelo ar.

Ren respirava com dificuldade. Seu peito subia e descia de maneira inconstante. Ele pegou duas Pokébolas do bolso da calça e liberou Murkrow e Houndour, ambos os Pokémon do tipo Sombrio pareciam visivelmente irritados, os olhos semicerrados e em posição de ataque.

— O que acha que está fazendo, criança? — disse Brandon tentando levantar-se. — Já cheguei longe demais e o que um pirralho como você pode fazer para me parar?

— Eu posso parar essa loucura toda aqui, cortar o mal pela raiz! — grita ele. — Styx use Ember!

Da boca de Houndour uma saraivada de brasas vermelhas e amarelas foram disparadas em direção ao arqueólogo. Não era são atacar uma pessoa assim, mas ele já estava de saco cheio de tudo aquilo desde que havia caído naquela parte do subterrâneo nas ruínas depois da batalha de Lyra contra Silver. Céus. Ele só queria se reencontrar com os amigos e não lidar com os delírios de loucura de um estrangeiro com complexo de deus.

Quando as brasas estavam prestes a atingir Benjamin Brandon, seu Bronzor se pôs à sua frente e defletiu o golpe, seu corpo brônzeo brilhando como se o fogo não tivesse feito dano nenhum.

— Uma coisa fascinante as habilidades, não é? — ri Benjamin Brandon se levantando. — Meu Bronzor tem a habilidade Heatproof. Ela corta pela metade o dano de golpes do tipo Fogo. Meu Bronzor é quase imune, mas acho que o seu Houndourzinho de estimação não vai ser imune ao meu próximo golpe: Gyro Ball!

O espelho de bronze girou em seu próprio eixo e como um disco de arremesso atingiu cheio o Houndour de Ren que foi mandado longe em direção à uma pilastra da câmara mortuária.

— Eu levei anos estudando os Unown depois de ver as análises iniciais de Carvalho, Rowan e Mr. Pokémon para os índexes regionais de Sinnoh e Johto na década de 90 — falou o homem caminhando até Ren. — Estudei os escritos de Laventon na primeira Pokédex de Hisui. Li tudo que pude sobre esta incomum espécie e parti em minha primeira expedição para as Ilhas Sevii e testei a teoria de Carvalho sobre a comunicação dos Unown ser por meio das ondas de rádio e assim criei meu primeiro protótipo do Neo Reticulador…

Ele pegou Ren pela gola da camisa, ele tentou lutar, mas Benjamin Brandon era mais forte, era impossível lutar contra o aperto. Luca que a tudo assistia junto com Khoury foi em direção ao arqueólogo e o chutou-o na canela. A Murkrow de Ren bicou o homem na cabeça repetidamente. Apenas Khoury ficou parado.

— Solta ele, seu balofo de merda! — disse Luca chutando-o repetidamente.

Argh… Pirralhos! — ele jogou Ren longe que não teve tempo de reagir e partiu para Luca, devolvendo o chute bem no seu peito, mandando-o para onde estava sua incubadora. — Eu falhei em meu primeiro experimento. Foi só em Sinnoh, quando eu descobri mais sobre a natureza extradimensional dos Unown e quando encontrei tábuas do povo Celestica sobre a mnamita e sobre as terras de Sinjoh e o que aconteceu lá que eu tentei uma segunda vez e falhei de novo, eu quase cheguei perto…

Ele pegou o Neo-Reticulador do chão e girou uma de suas válvulas e apertou um ou dois botões. Os Unown que flutuavam desordenados começaram a reagrupar-se. Brandon foi na direção do caixão do rei e com um Gyro Ball de seu Bronzor ele quebrou os elos da corrente e logo levantou a tampa do esquife.

— Eu fiz de minhas falhas um momento de aprendizado — ele disse com sabor na sua voz, se aproximando do caixão e contemplando o que havia lá dentro. — Foi nesse momento de falhas que me aperfeiçoei e estudei sobre a terra de Sinjoh. Um lugar tido como um mito. Uma lenda… Uma cidade perdida em meio às neves.

Ren, com dificuldade ergueu o pescoço e olhou para dentro do esquife e viu a múmia de um homem em robes roxos e verdes usando um diadema de prata com entalhes de estrelas igual o homem pintados nos murais. Sua pele estava amarronzada e ressequida, quebradiça, os lábios puxados contra as gengivas e os cabelos ralos, entre os dedos ossudos ele segurava uma garrafa de cristal onde haviam dois Unown que olharam assustados. Eram os mesmos Unown do mural, um parecido com um ponto de interrogação e o outro com um ponto de exclamação.

— Foi nessa cidade sagrada, há milhares de anos, em um dia de eclipse, que o Rei Alphaeus dos Alph e o Sábio Grex dos Celestica arquitetaram seu plano — disse Brandon, tomando a garrafa das mãos ossudas do cadáver. — Eles sacrificaram a cidade… seu povo… e seus Pokémon. Tudo em troca do poder que os Unown carregavam. Usaram as torres e o altar como um gigantesco círculo catalisador de transmutação, trocando cada alma por uma migalha do poder de Arceus…

Ele retirou o cristal de mnamita do topo da antena do aparelho e, com precisão, acoplou a garrafa de cristal no encaixe. No instante em que a conexão se fez, o ar pareceu tremer.

As paredes da câmara mortuária começaram a pulsar com reflexos distorcidos, como se a pedra fosse líquida por um momento. Um vento frio e seco irrompeu de lugar nenhum, trazendo um cheiro adocicado e enjoativo, como flores apodrecidas. Os Unown presos na garrafa se debatiam freneticamente, emitindo sons graves que vibravam nos ossos.

— Fizeram o que estou prestes a fazer com este aparelho — proclamou Brandon, sua voz agora mais alta, reverberando de forma estranha, como se ecoasse de dentro e de fora da mente ao mesmo tempo. — Usaram os Unown como chave. Usaram seu Hidden Power para catalisar o ritual pelas torres que construíram… e as vidas de toda a cidade, humanos e Pokémon, como moeda de troca.

Ele girou uma válvula e como os aneis de um planeta os Unown começaram a girar em torno de Brandon distorcendo o ar ao redor deles. Logo os Unown começavam a formar uma rede como a teia de um Ariados e reticular o ar ao redor do arqueólogo e dos meninos, criando uma intrínseca rede pela sala e cristalizando o chão em fractais de mnamita.

— Infelizmente, o ritual saiu pela culatra — Brandon prosseguiu, sua voz agora carregada de um tom quase cerimonial. — Os dois líderes acabaram morrendo no processo. O poder que desejaram… destruiu suas almas. Transformou-os em nada além de cascas vazias, ocas e frágeis. Eles colocaram na balança algo que jamais poderia ser equivalente a uma mera migalha do Todo-Poderoso de Sinnoh… e pagaram o preço.

Enquanto falava, a mnamita se alastrava pelas paredes, subindo como trepadeiras de cristal. Onde tocava, a pedra parecia perder sua solidez, tornando-se translúcida e refletindo figuras distorcidas. As vinhas de cristal se enrolavam nas pilastras e como gelo sobre a superfície de um lago espalhava-se em placas maciças e iridescentes o que fez Ren recuar e ir de encontro ao seu Houndour que estava fora de combate depois de receber o Gyro Ball do Bronzor.

— Qual é o preço da divindade, minhas crianças? — Brandon ergueu o braço como um sacerdote diante de um altar, a voz carregada de uma reverência sombria. — O que é equivalente para se trocar por um pouco do poder divino?

A teia de Unown apertou em torno deles, e Ren sentiu o ar ficar denso, como se estivesse submerso sob uma tonelada de água pesada. A respiração ficou curta, um zunido grave invadiu sua cabeça, um peso invisível esmagando cada pensamento. A sala parecia prestes a se despedaçar, como um tecido esticado demais, ameaçando rasgar a qualquer instante.

— Talvez estejamos prestes a testemunhar o que acontece — continuou Brandon, os olhos brilhando de loucura contida. — O rei dos Alph e o sábio dos Celestica cometeram o erro de sacrificar vidas humanas e Pokémon por uma migalha do poder primordial. Mas eu? Eu sacrificarei muito mais.

De repente, a mnamita espalhada pela câmara ganhou vida. Ganhou formas, gavinhas espessas e cristalinas que se retorciam como tentáculos vítreos, deslizando pelas paredes e pelo chão, expandindo-se sem controle. A risada maníaca de Brandon ecoou pelas pedras frias da câmara, somando-se ao caos crescente.

Mas antes que pudesse apertar outro botão do Neo-Reticulador, uma mão firme agarrou o aparelho. Khoury, até então imóvel, finalmente agiu, seus olhos brilhando com uma determinação inesperada.

— Chega! — berrou ele, com a voz cortando a loucura no ar. — Eu só queria uma boa nota, créditos no estágio! Não vim para essa masmorra infernal para presenciar essa insanidade! Quero voltar para a superfície, quero o Professor Hale, quero almoçar em paz! Meus pés estão cansados de tanto andar. Eu te achava um cara legal, Dr. Brandon, mas cansei!

Ren não acreditava no que via. O garoto que até então bajulava Brandon estava explodindo, cansado, revoltado, pronto para desafiar o homem que parecia controlar tudo ali.

Com toda a força que lhe restava, Khoury arremessou o Neo-Reticulador contra o chão. O aparelho se quebrou em dois com um estrondo seco. A garrafa de cristal, que aprisionava os Unown Interrogação e Exclamação, estilhaçou-se. Os dois Pokémon se libertaram, e junto com eles, os outros Unown se espalharam em um frenesi.

Os Pokémon Símbolo se espalharam pela câmara em um tamanho caos que a mnamita criada por eles quando estavam sobre o controle de Benjamin Brandon começou a trincar. As gavinhas e tentáculos vítreos quebraram como gelo fino e o chão abaixo dele, as lâminas de cristal estilhaçaram.

Correr era quase impossível por conta dos cristais que caíam do teto e das paredes e do enxame de Unown, o máximo que Ren pôde fazer fora abraçar seu Houndour e deixar sua Murkrow se aninhar nele. Luca abraçou-se à sua encubadora, por sua vez. Já Khoury, desesperado, ficou ali paralisado de medo.

Brandon em desespero arranhou o ar na tentativa de pegar os Unown e gritou:

— Meu plano de mais de vinte anos — disse ele. — Eu poderia continuar o que o velho rei começou em Sinjoh. Estas crianças idiotas estragaram minha oportunidade. Unown, ouçam-me, eu os comando, me deem o que o rei Alph pediu em Sinjoh!

Sinjoh. A palavra ecoou na câmara e os Unown viraram sua atenção para o arqueo-paleontólogo. Os olhos dos Pokémon Símbolo brilharam em tons de cores diferentes e, de repente, como se o chão nunca tivesse existido abaixo dos pés deles, todos os quatro caíram rumo à uma imensidão branca e gelada.

A última coisa que Ren fez foi gritar.


Lyra

Vale das Vinte e Oito Mansões, Ruínas de Alph, Johto


Os dois grupos se encontraram numa pedreira a céu aberto ali na parte sul das ruínas. O azul do céu vespertino estava tão intenso que quase feria os olhos, adicionado ao sol que cozinhava a pele de Lyra assim que saíram por uma das entradas subterrâneas. Ela não podia ser mais grata por sentir o calor daquela tarde de primavera contra a pele sardada. Era bom saber que o sol ainda existia ali no mundo exterior depois dos perrengues que passaram ali no subsolo.

Não muito longe dali, o templo principal do complexo sul das Ruínas de Alph, onde estavam horas atrás erguia-se majestoso, suas pedras gastas pelo tempo refletindo a luz do sol. Um vento seco varria o chão, arrastando um fino véu de poeira e carregando o eco distante dos passos de Lyra e dos garotos, ainda atordoados com tudo o que haviam vivido no subterrâneo enquanto, nos galhos espinhosos das árvores, Natu piavam.

Lyra que já se encontrava exausta de tanto vagar a esmo pelo subterrâneo, com os joelhos ralados e o estômago roncando como um Growlithe selvagem, não esperava prender o pé numa pedra e tropeçar. Estabanada como sempre ela caiu para a frente topando, para seu desprazer, contra Silver que vinha da direção oposta de uma bifurcação ali perto, chocando-se com força suficiente para arrancar-lhe um grunhido. O ruivo cambaleou, porém conseguiu se firmar sobre os calcanhares antes de cair.

Ela não esperava que a primeira pessoa que iria ver assim que saísse seria ninguém menos que aquele menino. Céus, como seu dia poderia ficar ainda mais azedo do que já estava?

Silver estava acompanhado de Tomoki e Kessil, ambos cobertos de poeira e tão desgastados quanto ela. Aleks lançou um breve sorriso para Silver, que apenas resmungou e revirou os olhos prateados em resposta. Ainda assim, era bom vê-los vivos.

No instante em que Kousei e Orion avistaram seus respectivos gêmeos, toda a tensão em seus corpos se quebrou como vidro sob os pés. Eles dispararam numa corrida instintiva, como se fugissem de um pesadelo, movidos apenas pela urgência de alcançá-los.

Nee-chan! — gritou Kousei, erguendo Tomoki num abraço tão forte que chegou a tirá-la do chão. — Pelas Asas de Ho-Oh, eu estava morrendo de preocupação com você!

— O mesmo aqui — respondeu ela, a voz trêmula enquanto retribuía o abraço. — Otouto, que bom que você está bem.

— Ei, zé mané, que bom que você tá vivo! — Orion puxou Kessil para uma chave de pescoço, esfregando os nós dos dedos no cabelo do irmão num cafuné nada delicado. — Eu estava preocupado contigo, seu pau no cu. Onde é que você se meteu?

— Eu que devia perguntar isso pra você, Orion! Você não quebrou nenhum osso ou lascou algum dente, né, seu zé buceta? — retrucou Kessil, empurrando-o para longe, mas com um sorriso discreto no rosto, seu gêmeo riu. — Ainda assim… é bom ver que você está inteiro.

— Fisicamente eu estou — gargalha o irmão. — Psicologicamente? Eu não vou me recuperar tão cedo, mas saca só, mano, limpa bem os ouvidos que você não vai acreditar no que eu encontrei lá embaixo quando estava com a galera…

Enquanto as reuniões se desenrolavam, Lyra e Silver trocaram olhares afiados como lâminas. Nenhuma palavra foi dita, mas a tensão era quase palpável, permanecendo desde a batalha antes da queda no subterrâneo. Ela sabia que ele não era completamente sem coração… mas também sabia que ele era um ladrão de Pokémon — o mesmo que havia roubado aquele Chikorita do laboratório do Professor Elm, em New Bark Town. Sua presença era como um espinho cravado na pele: pequeno, mas impossível de ignorar.

Com o tempo, todos se reuniram no centro da pedreira, formando um círculo irregular sobre o chão poeirento e coberto de pedras soltas onde sentaram-se para retomar o fôlego e descansar depois do que ocorreu lá embaixo. A respiração ainda estava pesada, os músculos doloridos, mas pela primeira vez em horas havia uma fagulha de alívio. Não era o reencontro perfeito que imaginavam, mas era o bastante para reacender uma pequena chama de esperança. Todos estavam ali. Todos, exceto…

— Cadê o meu irmão? — perguntou Pierce, rompendo o breve silêncio. — O Luca não estava com vocês? E o Ren-ren?

Lyra franziu a testa, surpresa.

— É mesmo… eles não caíram com vocês?

Tomoki balançou a cabeça lentamente.

— Não vimos nenhum dos dois desde que nos separamos quando aquele alçapão ativou no anfiteatro.

— O estagiário nerdola do Professor Hale também não está aqui — acrescentou Kessil, olhando ao redor como se esperasse que o garoto surgisse de trás de alguma pedra. — Qual era mesmo o nome dele?

— Khoury! — exclamou Orion, apontando para o irmão.

— Isso. Ele também sumiu. — A voz de Kessil caiu, e o peso das palavras pareceu assentar sobre o grupo como um manto pesado.

Pierce, que até então permanecia sentado, levantou-se num salto, o som dos tênis batendo seco contra o chão pedregoso. Começou a andar de um lado para o outro, os passos curtos e apressados chutando pedrinhas que rolavam para longe. Seus punhos estavam cerrados, as veias saltando.

— A gente tem que procurar por eles agora. — Passou as mãos pelos cabelos malhados, as íris tremendo de preocupação e culpa no centro das escleras. — Meu irmão ainda pode estar por aí, perdido nas ruínas. A minha mãe e meu padrasto nunca me perdoariam se soubessem que eu deixei o Luca para morre–

— Ei, ei, ei, Pê, calma — interrompeu Aleks, erguendo a voz e segurando-o firme pelo ombro, obrigando-o a parar. — A gente não pode voltar para lá agora. Não no estado que a gente está. Não depois do que passamos com os Unown e… aquela ilusão. — A última palavra saiu quase como um sussurro, como se ele não quisesse que fosse ouvida pelo vento. — E além do mais, seu irmão é resiliente.

— E o Ren também — acrescentou Lyra, ainda que sua voz traísse uma ponta de incerteza. Ela olhou para o chão, chutando distraidamente um pedaço de cascalho. — Eles devem estar bem… assim espero.

Um dos gêmeos Wehrii pigarreou, quebrando o silêncio denso como pedra.

— Primeiro a gente come algo e descansa. Depois, podemos pedir ao Professor Hale e à tia Ossie para ajudar nas buscas. A equipe de escavação é mais experiente que oito adolescentes.

Silver, até então à margem da conversa, endireitou-se. O vento soprou seco pela pedreira, arrastando consigo grãos finos de poeira que se ergueram no ar e passaram entre ele e o grupo como uma cortina se fechando, separando-os por um instante. Ele enfiou as mãos nos bolsos da jaqueta de couro, inclinou o corpo levemente para trás e percorreu cada rosto com um olhar lento, os olhos prateados refletindo apenas um breve desdém e descaso pela situação.

— Muito bonitinho esse papo… — disse, a voz baixa, mas afiada como uma lâmina recém-amolada. — Mas eu não vou ficar pra ajudar. Tomoki, Kousei, vamos indo. Loiro, venha se quiser também.

O silêncio que se seguiu não era apenas ausência de som, era pesado, sufocante, como se a poeira em suspensão tivesse roubado o ar. Até o vento pareceu recuar.

Lyra se levantou de repente, os joelhos latejando e os músculos reclamando da exaustão. Dois passos firmes a colocaram diante de Silver, bloqueando seu caminho.

Ele era mais alto. Mais forte. Bastaria um empurrão para mandá-la ao chão. Mas, mesmo assim, ele parou ali, o olhar fixo nela, sem piscar, como se calculasse cada centímetro da sua coragem.

— Você não vai a lugar nenhum — disse Lyra, erguendo o queixo para compensar a diferença de altura.

Silver arqueou uma sobrancelha, quase divertido.

— Você não pode ir a lugar nenhum — insistiu ela, tentando endurecer o tom, embora a voz traísse um leve tremor. — Não depois da nossa batalha…

— Batalha essa que não teve fim conclusivo, embora, se não fosse pela armadilha do alçapão ter se ativado eu teria te trucidado, Marias-Chiquinhas. — ele a cortou, dando um passo à frente, reduzindo o espaço entre eles a quase nada. O calor da respiração dele tocou o rosto dela. — Você não pode chamar a Polícia pra mim, Maria-Chiquinhas. Também não pode me prender aqui. Aliás, não tem nada que você possa fazer para me obrigar ficar aqui e ajudar.

A poeira rangeu sob as botas de Silver quando ele se inclinou ligeiramente, lançando uma sombra que cobriu metade do rosto dela.

— Não vou fazer parte dessas buscas. — O tom era seco, final, como um veredicto. — Já saí daquelas ruínas… e não vou voltar para lá. Tomoki, Kousei, vamos logo.

Atrás deles, Kousei e Tomoki trocaram olhares carregados, hesitando em seguir o garoto ruivo; Orion cerrou os punhos, pronto para intervir, e Kessil o espelhou, tensionando os ombros. Pierce observava tudo com o maxilar travado, e Aleks permanecia em silêncio, os olhos violetas atentos, avaliando o risco daquela faísca virar incêndio.

— Olha, Ruivo… — começou Pierce, andando devagar na direção de Silver, cada passo ecoando seco no chão pedregoso. — Talvez a Lyra não seja intimidadora… mas eu sou.

Silver desviou o olhar de Lyra para encarar Pierce, mas não se moveu.

— Eu não tenho medo de tipos como você — continuou o desafiante, a voz firme. — Já lidei com valentões piores e, olha… se não quiser conhecer meu taco de beisebol, sugiro que ajude a encontrar meu irmão, meu melhor amigo e aquele nerdolinha que eu nem me preocupei em gravar o nome.

— É Khoury! — gritou Kessil Wehrii.

— Que seja — Pierce revirou os olhos, mas voltou a fixar o olhar em Silver. — Ou você ajuda… ou a Polícia vai ser o menor dos seus problemas. Capisce?

Silver soltou um muxoxo e revirou os olhos.

, eu ajudo! Não precisa me ameaçar com nenhum taco de beisebol — fala o garoto ruivo encarando Pierce com desdém. — Eu tomaria da sua mão antes mesmo de você sequer pensar em usá-lo contra, mas vamos estabelecer as seguintes regras.

— Quais? — indaga Pierce encarando.

— Assim que seu irmão e os outros dois garotos forem encontrados tanto eu, quanto Tomoki e Kousei e o seu amigo loiro, nós vamos embora — ele disse.

— Por que eu? — disse Aleks se intrometendo na conversa.

— E segundo, não adianta chamarem a Polícia para mim — continuou ele. — O caso foi absolvido pela Delegacia de Cherrygrove depois que eu apresentei, digamos, que provas para que eu me inocentasse e outros se fodessem no meu lugar e digamos que eles nem devem ligar mais para o roubo do Chikorita. Estamos longe da jurisdição de Cherrygrove e New Bark e nem compensa chamar a Polícia de Violet, eles não virão.

Argh, que inferno, tá… — bufa Pierce. — Agora vamos voltar para o Professor Hale e explicar o que aconteceu depois que todos comermos, por que sejamos sincero, estamos todos mortos de fome.


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