Lyra
Refeitório do Museu, Ruínas de Alph, Johto
Segunda-feira, 16 de maio,ano 30 (Era Tōitsu)
Como se não bastasse aquele dia ser mais longo do que o necessário, eles haviam ficado presos no museu enquanto o Prof. Hale e Dra. Wehrii procuravam por Luca, Ren e Khoury nas ruínas com a equipe de escavação. Lyra não queria ficar parada, ela queria ajudar, eram seus amigos que estavam presos naquele mundaréu de ruínas subterrâneas com aqueles Unown.
O subterrâneo. Isso fez Lyra ficar pensativa enquanto estava sentada na mesa do restaurante do museu brincando com uma colher depois de ter comido uma imensa fatia de bolo. O Professor Hale tinha sido generoso de ao menos deixá-los livres para comer o que quisessem no restaurante e usar a internet móvel do local enquanto ele e a expedição vasculhavam as ruínas atrás dos meninos.
Ela perguntava se Ren e Luca estavam bem. Se eles também haviam passado pelos mesmos problemas que ela e os outros com aqueles estranhos Unown. Eram tantos questionamentos que rondavam seu cérebro, mas um ainda permanecia. O da queda e de como ela havia parado-a tão repentinamente e flutuado como se ela e Kousei não pesassem mais que uma pluma.
“Você é psíquica?”. A pergunta de Kousei ecoava em seu cérebro. A menina olhou para a colher de sobremesa em sua mão e pensava nessa resposta. Ela imaginava se conseguia dobrá-la igual aqueles psíquicos da tevê que conseguiam entortar metal como se fossem folhas de papel.
Ela ficou uns bons minutos encarando e nada. A colher não havia se movido nem um centímetro. Pelo que ela leu na internet na última meia hora tinha sido assim que a líder de ginásio Sabrina, lá da região de Kanto, havia descoberto seus poderes psíquicos em tenra idade.
Quando ela decidiu pesquisar pela internet sobre se uma pessoa pudesse se tornar paranormal em algum ponto da vida o que ela recebeu de resultados foi assustador para não dizer que era impressionante.
De acordo com o que ela pesquisou, paranormais ou paranaturais eram humanos que possuiam alguma sensibilidade a alguma energia tipológica Pokémon, usualmente Psíquica ou Fantasma. Geralmente eram indivíduos que já nascem com algum dom paranormal de alguma origem. Era muito texto para ler. Ela já havia enjoado na metade de tanto ler aquilo. Tentar dobrar colheres não adiantava muito, apenas dava dor de cabeça e, bem, tinha toda a preocupação com Ren e Luca ainda a esmo pelas ruínas de Alph. Ela tinha mais o que pensar que algo que aconteceu uma vez só, mas ainda assim ela ficava intrigada.
Pelo que estava naquele artigo na internet, pessoas assim eram filhas de pais com alguma capacidade do gênero e pelo que Lyra sabia bem seu pai não dobrava colheres com o poder da mente, via o futuro ou flutuava as coisas com um mero gesto das mãos. Frank Winterfeldt era apenas um carpinteiro qualquer, serrando madeira e esculpindo-a para transformá-la em móveis. E se sua mãe fosse paranormal, bem, Lyra saberia, sua avó teria feito questão de contá-la em algum momento de sua vida. Certo?
Ela engoliu em seco. Lyra as vezes se culpava por não saber muito sobre a sua falecida mãe. Theresa havia morrido de uma doença quando Lyra tinha seis anos de idade, já tinha passado muito tempo desde então, quase nove anos. Era uma daquelas coisas que roía ela de dentro para fora que ela nunca sabia o que fazer sobre. Por um lado se ela ligasse agora para a avó ela poderia fazer uma pergunta boba, mas por outro ela sabia que não devia xeretar onde não devia.
A vontade de ligar para a avó foi mais alta. Ela abriu a lista de contatos no celular e discou para a avó em uma ligação de vídeo apenas pelo desencargo de consciência e bem, já fazia algumas semanas desde que ela havia entrado em contato com alguém de New Bark.
— Vovó? — chamou Lyra encarando a tela, do outro lado da video-chamada não havia nada além da cozinha vazia da casa, a câmera estava focando na geladeira. — A senhora está aí?
— Espera, minha filha, eu tô tentando ver como coloca na câmera da frente — disse uma voz do outro lado da linha. — Esses telefones de hoje em dia são cheios dos balangandãs e telecotecos, nunca vou saber como que mexe num troço desses.
Lyra conteve o riso. A sua avó era um desastre quando se tratava de tecnologia. Quando instalaram o roteador na casa de chá, ela levou semanas para descobrirem que os adolescentes estavam usando a internet de graça na frente da loja por que ela não havia colocado uma senha. Com o PokéGear não era diferente, ela havia-o comprado no começo do ano quando ela e Lyra haviam tirado um dia para passear em Cherrygrove, ela se embananou tanto com o smartphone nas primeiras semanas que ela chegara a bloquear o próprio telefone por que havia esquecido seu padrão do bloqueio de tela e teve que pedir para que Lyra resolvesse isso.
— Vovó é só você…
— Pera, eu já achei, ufa — a visão da câmera traseira voltou-se para a avó que colocara o celular muito à frente do rosto antes dela afastar um pouco para ajustar os óculos.
Era bom rever o rosto da avó. Os cabelos pretos rajados com mechas grisalhas estavam presos em um coque alto preso com um longo grampo do jeito que ela sempre usava, além de estar usando o xale de seda que ela jurava que era de marca, mas Lyra bem sabia que era Made in Sevii quando vira a etiqueta. Ela usava seus óculos de armação de gatinho com uma correntinha perolada enquanto estreitava os olhos para encarar a tela do celular.
— Quanto tempo que você não liga, Lily, querida. Eu senti a sua falta — fala a idosa para a neta. — Esqueceu da sua…. — a frase é cortada por uma breve tosse rouca e seca o que preocupou Lyra um pouco. — Da sua avó? Urgh, que tosse horrível!
— Vovó, a senhora está bem? — pergunta Lyra encarando a avó pela vídeo-chamada.
— É só esse clima seco, ele arruina minha garganta toda, irei fazer um chá depois para esta tosse dos infernos. — respondeu a avó após um pigarro. — Parece que o verão quer vir mais cedo esse ano. Está o puro mormaço aqui em New Bark, mas chega de falar desta Noctowl velha. Me fale de você, minha querida. Como está a jornada? Harper me contou muitas coisas de quando ele foi ver você em Violet.
Isso tinha sido na semana passada. Tinha sido bom rever Harper, mesmo que ela já não estivesse há tanto tempo assim na estrada.
— É, ele deve ter te contado como eu consegui a minha primeira insígnia — disse ela. — Eu enfrentei um Pidgeot. Três Pokémon contra um.
— Impressionante! — exclama a avó. — Onde está agora, meu bem? Já está em Azalea?
— Ainda não — fala a garota enrolando um fio de cabelo em torno do dedo. — Ainda estou bem longe. Estou nas Ruínas de Alph ainda. Devo demorar a chegar à cidade de Azalea, é uma rota bem longa e bem, eu estou… estou esperando por uns amigos. Eles estão explorando as ruínas ainda.
Ela não queria contar para a avó sobre o fato deles terem desaparecido nas ruínas de Alph e que aquilo estava matando ela de preocupação. Ren e Luca estavam em algum lugar ali no subterrâneo das ruínas e nem ela e nem os outros podiam fazer nada a respeito enquanto os adultos procuravam por eles.
— Não é como se a liga fosse amanhã também — diz a avó em tom de piada. — Bem, já sei o que posso recomendar para você e seus amigos, minha querida. Como está calor esses dias por que não tirar um dia na praia, há algumas praias fora do mapa da Rota 32.
Depois do que eles haviam passado naquele dia, uma praia não seria de todo ruim, nisso Lyra concordava com sua avó, mas recomendações do que fazer a seguir não estava nos planos daquela ligação.
— Vovó, hã… — Lyra coçou a nuca em nervosismo, ela não sabia como começar a pergunta. — Na nossa família tem alguém que tenha, sei lá, poderes paranormais?
— Que pergunta estranha e repentina — disse a avó que encarou a neta da tela com olhos arregalados. — Por que a pergunta, minha querida?
— Nada, nada, é que… — Lyra pensou por uns instantes em como mentir para a avó o que não era lá uma tarefa fácil. — Eu e meus amigos nos deparamos com esses Pokémon estranhos, os Unown, lá nas ruínas. Eles nos prenderam em uma ilusão, mas conseguimos escapar.
A história ao menos era verídica, Lyra só precisava omitir os fatos parcialmente, não contar tudo. Sua avó não precisava saber que ela batalhou contra um criminoso que havia roubado um dos Pokémon do laboratório do Professor Elm e nem que ela e os amigos caíram nas ruínas. A parte dos Unown e da ilusão já era o suficiente.
— Eu pensei que, como eles são… eles são Pokémon psíquicos, eu fiquei imaginando que… Seria legal saber se há pessoas com algum poder paranormal na nossa família. Sei lá. — ela disse girando uma mecha da maria-chiquinha em torno do dedo. — Eu lembrei que tem uma treinadora de Pokémon psíquicos em Kanto que conseguia dobrar colheres com o poder da mente quando criança. Eu imaginei que talvez pudéssemos ter alguém na família assim…
— Ah, você e sua imaginação — a avó deu uma risada breve. — Bem. Infelizmente não tem ninguém assim na nossa família. Sua mãe também não, antes que me pergunte. Mas eu conheci uma família de videntes em Ecruteak se isso te responde, eu soube que o filho mais velho assumiu o ginásio na época em que seu pai e sua mãe se casaram. Isso conta?
— Acho que sim — ela murcha um pouco a boca. — Hã, vovó, posso te ligar depois outra hora?
— Pode sim, meu bem — diz a avó. — Eu tenho que começar a fazer o jantar logo, Harper deve voltar do futebol logo e seu pai logo chega do trabalho. Se cuida, ouviu?
— Pode deixar, vovó — e assim que ela disse isso a avó desligou.
Lyra soltou um suspiro e levantou-se da mesa. Ela ainda estava pensativa, mas tentou ficar calma. Ela tinha que ficar, já que dali de onde ela estava ela conseguia ver Pierce tamborilando os dedos na mesa, a perna tremendo em um tique nervoso e inquieto, cada sinal de que ele estava beirando a uma crise ansiosa.
Ela se sentou do lado do amigo que não fez nenhum contato visual com ela, mas apenas se aproximou e deitou a cabeça no ombro da menina que nem esperava o ato, apenas aceitou. Lyra passou a mão nos cabelos bicolores de Pierce, misturando as raizes pretas com as mechas brancas.
— Você acha que eles estão bem? — ele perguntou, encarando-a.
— Ren é mais forte do que parece — fala Lyra em resposta. — E o Luca também. Não os conheço tão bem quanto você, mas eu sei que eles devem estar bem e vão sair seguros dali. Eu também tô morta de preocupação com eles.
— É uma merda sentir isso. Se sentir incapaz. Sério. Eu queria saber onde meu irmão tá. Onde o Ren-ren tá. — ele fala. — Meu coração parece que vai sair do peito a cada vez que eu olho para aquele relógio estúpido na parede e vejo que meu irmão não voltou e não está atormentando ninguém ou por que o Ren-ren não está aqui para eu poder tirar uma onda com a cara dele e…
— Eles são meio que a cola do grupo, né? — diz Lyra. — O Ren que juntou a gente. Bem, me juntou a vocês. Ele é a alma e o coração do grupo.
— E o Luca é meio que o pontapé na nossa bunda para continuar seguindo em frente — fala Pierce. — A gente deveria ser os mais fortes do nosso grupo e olha só, nós dois desabando aqui.
— As vezes é bom desabar — disse ela. — É aí que a gente se reconstrói. E desabafar também é bom. Quer contar algo que aconteceu lá embaixo quando estávamos separados? Só para passar o tempo enquanto eles não voltam.
— Só se você contar primeiro — fala o desafiante da fronteira.
— Bem, eu não tenho muito a comentar — fala ela. — Mas sabe quando todos nós caímos quando o chão do anfiteatro se abriu, como foi que você, Aleks e o Órion caíram?
— Caímos num rio subterrâneo — disse ele. — Nenhum dos três sabia nadar, mas a gente conseguiu se safar. O Aleks quase morreu afogado. Como foi com você?
— Não sei se você vai acreditar em mim — ela coçou a nuca. — Mas quando eu e o Kousei estávamos caindo não havia nada para frear a nossa queda igual foi com vocês no rio. Quando estávamos prestes a cair nós simplesmente paramos no ar e flutuamos até o chão.
— Pera, o quê? — o garoto levantou o pescoço e se virou para a menina. — Como?
— É aí que entra a parte que você não vai acreditar — fala ela. — Parece que eu parei a queda… Kousei falou que meus olhos brilharam prateado e… ele me perguntou se eu sou psíquica ou coisa do tipo…
— Lily, eu não tô gostando muito desse papo — ele olhou de soslaio. — Como assim, psíquica? Você é paranormal?
— Eu não sei, aí que tá! — ela exclama. — Você tá acreditando em mim, não é?
— Bem, aconteceu um monte de coisas hoje das quais não dá para acreditar — disse o amigo. — A gente foi caçado por Pokémon dinossauros, eu tive que fazer respiração boca-a-boca no Loiro de Farmácia, meu irmão tá desaparecido igual o meu melhor amigo. Você ter algum poder paranormal tá de longe de ser algo inacreditável.
— Pera, qual é a da respiração boca-a-boca?! — Lyra arqueou a sobrancelha. — É sério isso? Eu achei que o Órion estava zoando com a sua cara.
O rosto de Pierce ruborizou violentamente.
— Ignora que eu disse isso! Já basta um dos gêmeos Wehrii ter me atormentado por conta disso e agora você que é declaradamente fujoshi? Ah não vem não, Lily! — ele diz em exaspero, Lyra apenas gargalha baixo. — Mas sei lá. Eu não ficaria surpreso se for o efeito dessas ruínas em você. A gente se preocupa com esse lance depois, okay? Por ora só nos resta esperar pelo Ren-ren e pelo Luca que estão em Arceus-sabe-se-lá-onde.
Lyra soltou um suspiro para lá de prolongado.
— Você tem razão.
Ren
Cabana de Cynthia, Vila Musuhi, Sinjoh
O Núcleo de Mystri parecia feito de chumbo na palma da mão de Ren. A esfera de opalita era do tamanho de uma bola de beisebol, mas nas mãos do garoto parecia que aquilo era feito de metal pesado ao ponto que doía seus dedos.
Ele ainda achava que o Ancião Elli estava errado em dar aquela relíquia que havia pertencido à sua vila há tanto tempo quanto Ren havia de idade. Aquilo tinha um valor inestimável para aquele povo simples no meio das montanhas de Sinjoh e ainda assim ele havia dado aquilo para Ren como se não fosse nada importante. Ele sentia que tinha tirado o coração daquele lugar.
Após um prolongado banho, Cynthia oferecera a ele algumas roupas que ela conseguira com alguns dos moradores da vila e um de seus casacos para que ele usasse. Ela queria que ele estivesse recuperado o suficiente para que pudessem começar a ir atrás de Benjamin Brandon que já deveria estar a caminho das ruínas de Sinjoh.
— Posso entrar? — alguém chamou da porta, era a voz de Khoury, que estava um pouco grogue, ele deveria ter acabado de despertar. — A senhorita Cynthia e a senhorita Miri me contaram o que aconteceu.
— Pode entrar, Khoury — disse Ren, de costas para a porta, enquanto se vestia, terminando de abotoar a calça que Cynthia lhe emprestara, pegando uma camisa de malha grossa que estava em cima da cama para vestir em seguida.
O outro menino entrou, abrindo a porta do quarto de hóspedes, a cabeça cabisbaixa e os óculos embaçados. Ele ergueu a cabeça para e encarou Ren, mas antes que pudesse falar uma sílaba sequer ele recuou para trás e deu um grito:
— Ah! Por que não me falou que estava se trocando! — exclamou o garoto de cabelos cacheados que tapou os olhos de imediato, o rosto enrubescendo-se ficando da cor de beterraba de tão envergonhado que o menino estava, Ren apenas franziu a sobrancelha. — Eu não teria entrado no quarto de uma menina se trocando!
— Já é a terceira ou quarta vez que alguém acha que eu sou uma garota só nesse dia — ele soltou um prolongado suspiro e virou-se para Khoury. — Pode destampar o rosto, Khoury. Eu sou um menino. Eu fiquei andando o dia inteiro contigo naquelas ruínas, você achou que eu era uma menina esse tempo todo?
Khoury destampou o rosto, mas permaneceu corado encarando Ren por mais do que o necessário. Talvez por ser do time de natação de sua escola ele já estava acostumado a ficar sem camisa na frente dos outros sem problema nenhum, mas Khoury parecia ter um pouco de vergonha de ver outra pessoa assim e Ren não podia culpá-lo, ele tinha um corpo mais esguio apesar do treino de natação e ter um cabelo um pouco mais comprido e uma voz fina não ajudava muito.
— E-e-eu ache-chei que você fo-fo-fosse uma meni-meni-menina — ele gaguejou, os óculos deslizando pela ponte do nariz que estava para lá de vermelho em constrangimento e rubor. — Meu deus. Você era um menino esse tempo todo! Eu achei que você fosse uma daquelas garotas tomboy e… Céus. Que burro eu fui. Ren é um nome feminino também, sabia?!
Ele riu do garoto nerd e ajeitou os óculos dele no nariz.
— Cara, não tenta justificar — ele gargalha. — Já é a quarta pessoa que me confunde hoje. Se eu ganhasse uma moeda de cem ienes para cada pessoa que me confunde com uma menina eu já teria dinheiro o suficiente para comprar uma latinha de refri numa máquina de vendas o que já não é muita coisa.
Khoury abriu um sorriso bobo.
— Foi mal… é que… quer saber, não, não vou tentar justificar que nem você disse — ele coçou a nuca. — Mas hã, o que eu queria vir aqui e dizer é: obrigado. Obrigado por me salvar quando desmaiei quando caímos aqui em Sinjoh e por ter enfrentado aquele cara lá nas câmaras mortuárias. Você foi muito corajoso.
— Você também demonstrou um pouquinho de coragem lá nas ruínas também — disse o garoto de cabelos fúcsias sentando-se na cama, Khoury se sentou ao seu lado, o rosto da cor de uma Cheri Berry.
— Eu não fui corajoso, eu só queria voltar para a superfície e já tava percebendo que o Dr. Brandon estava indo longe demais — ele soltou um suspiro. — Eu me deixei levar por que achei que se eu colasse nele eu iria conseguir um bom crédito para o meu estágio. Eu já estava um pouco exausto de ser o garoto de recado do Professor Hale e ficar andando para lá e para cá nas Ruínas de Alph.
— Nossa, que… que triste — fala o garoto. — Por que você veio para as Ruínas de Alph? Não quis escolher nenhum outro lugar para fazer estágio não? Aliás, outra pergunta, onde é que você estuda pra começo de conversa?
— Eu sou estudante na Goldenrod Metropolitan Technical College — ele disse em resposta. — Goldenrod Tech para encurtar. É uma escola técnica que funciona como ensino médio e ensino superior. Alguns treinadores que querem se tornar pesquisadores estudam lá. Ao menos em Johto.
— Que legal — ele disse, encarando Khoury nos olhos.
— Sim. Eu sou bolsista do curso de História Pokémon de lá — falou ele. — Eu tenho interesse em mitologia e arqueologia e como parte do meu curso como pesquisador Pokémon eu tenho que fazer um estágio, geralmente alguns dos alunos já o fazem como parte das suas jornadas, mas eu quis ficar nas Ruínas de Alph por que eu admiro o trabalho do Prof. Hale e da sua família, eles dedicaram uma vida inteira àquele lugar desde as primeiras escavações pelo Professor Silktree no meio do século passado.
— E por isso você se sujeitou a ser o Ponyta de carga do Prof. Hale? — pergunta Ren.
— A princípio eu não achei de todo o ruim, sabe? — fala Khoury, entrelaçando os dedos da mão. — Mas depois acabou virando um fardo por que eu basicamente virei o garoto de recados: eu tinha que ir buscar o almoço, atender telefonemas, levar coisas, guiar visitantes no museu ou só ficava na biblioteca lendo. Eu quase nunca ia para o sítio de escavações, a menos que o Professor Hale quisesse alguma coisa.
— Oh… e por que você, não sei, só sai disso daí?
— Minha nota depende desse estágio — ele diz. — E minha bolsa também. É um estágio remunerado e eu recebo até que bem, é com ele que eu pago minhas despesas, fora que eu mando um pouco para meu padrasto e minha mãe lá em Mahogany.
— Eu… eu não sabia disso — Ren coça a nuca.
— Não teria como saber, meus pais são divorciados e se casaram de novo. Não tive nenhum problema com a separação deles e quando eles se casaram de novo, nem nada. Foi até tranquilo, mas minha mãe e meu padrasto tem uma fazenda de Swinub em Mahogany e ela não é tão lucrativa assim, sabe? — Khoury dá um frouxo sorriso. — Meu padrasto e minha mãe se esforçaram muito para que eu estudasse na Goldenrod Tech. Eles pagaram a taxa de inscrição da prova de admissão, o uniforme, me ajudaram com o aluguel do apartamento. Daí eu dou parte do dinheiro do estágio para eles. Minha madrasta e meu pai também me ajudam um pouco, já que eles vivem em Goldenrod.
— Ao menos ambos seus pais te apoiam, não é? Minha mãe nem isso, pra ela eu sou só o lembrete de que eu atrasei a vida dela. — diz Ren encarando os olhos verde-escuros de Khoury, perdendo-se naquela cor musgosa como a superfície de um pântano afogado em aguapés. — Ela não me deixa nem ver meu pai. E você sabe bem o que você quer. Deve ser bom ter um objetivo claro em mente, já eu nem sei o que eu quero pra minha vida. Eu te invejo um pouco e eu nem conheço você bem.
Ren não queria despejar todos seus traumas para cima de Khoury, mas era fácil sentir inveja de alguém que parecia ter problemas diferentes dos dele. Ele nunca sentia que era suficiente para ninguém. Sua mãe o repudiava e tentava moldá-lo a algo que agradava-a. Ele não sabia o que queria ser, se queria ser como Lyra ou Pierce, que já pareciam ter objetivos claros. Ele sentia-se um fardo na equipe e que só os atrasava. Lágrimas ferroavam o canto dos olhos.
Khoury, emudecido, o encarou de volta e disse:
— Eu que deveria sentir inveja de você — fala o menino de óculos. — Você parece bem confiante e seus amigos são legais. Aquela sua amiga, Lyra, ela já chegou e foi desafiando aquele menino Silver como se não fosse nada. Você pareceu bem confiante também quando peitou o Brandon lá na câmara mortuária, eu só me acovardei, mas você foi lá e mesmo sabendo que não podia vencer você o enfrentou.
Ren ergueu o pescoço e fixou seu olhar no forro do teto. Ele não era corajoso como Khoury pensava. Nunca tinha sido. Ele já tinha se sujeitado a tanta coisa por causa do narcisismo de sua mãe até o ponto que, se ele quisesse ser ele mesmo, ele tinha que chamar a atenção: ele começou a andar com pessoas que a mãe não aprovava, às vezes faltava aos treinos de natação, pintou o cabelo da cor mais berrante que pôde, furou as orelhas e insistiu muito em querer ir em jornada com Pierce. E tudo isso apenas resultou em uma única coisa: ser expulso de casa.
Sair em jornada com Pierce não era só libertar-se do que o prendia em Cherrygrove. Significava que ele também não teria para onde voltar. Que ele teria que descobrir quem ele era. Quem viria a ser. Ele queria resposta para a única pergunta que assolava à sua mente: Quem era Ren?
— Eu não sou nem metade do que você diz, Khoury, mas valeu por tentar levantar a minha auto-estima — ele secou as lágrimas.
— Bem, eu sei o que é se sentir para baixo o tempo todo. Sentir que você não se encaixa em lugar nenhum — ele relaxou os ombros e soltou um suspiro. — Na Goldenrod Tech era assim pra mim. Eu entendo como é estar nos seus sapatos, bem, botas, no seu caso.
Khoury coçou os cabelos e deu um sorriso frouxo.
— Eu só sou o nerd otaku que gosta de animes shounen e que dorme com um dakimakura de uma personagem 2D que eu falo que é minha waifu, fora todos meus mangás e action figures. Sou acostumado a ser alvo de chacotas e me sentir para baixo por conta disso — ele continuou. — Se sentir desajustado é basicamente o que eu faço da minha vida.
Ren deu uma gargalhada nervosa. Ele mesmo, em seus pensamentos, havia zoado com Khoury por ele ser como era. Ele se sentiu um pouco mau por conta disso.
— Bem, se serve de consolo eu tenho um dakimakura, mas é de um dos meus husbandos de um anime BL, só que eu tive que pedir pro Pierce guardar para mim — ele deu de ombros encarando Khoury. — Eu não te julgaria. Mas valeu por me consolar, serião.
— Que nada — ele falou. — Os excluídos tem que se ajudar. Um nerd otaku ajuda um… O que exatamente você é? Gótico? Emo? Punk?
— Emo — ele respondeu.
— Certo, certo — o menino ajustou os óculos. — Um nerd otaku e um emo afeminado. Posso te chamar disso, né? Não ofende, né?
Ren negou com a cabeça. Honestamente ele já havia sido chamado de coisas piores e ele sabia que era afeminado e Khoury não falava como uma maneira de ofendê-lo. Ele estava tentando ser amistoso.
— Okay, um nerd otaku e um emo afeminado unidos contra o mundo. Os párias tem que se unir. — diz Khoury. — Aliás. Uma perguntinha: o que é um BL? Eu não conheço a sigla. É um gênero de anime?
— Acho que vou ter que te dar uma aula inteira sobre isso — riu Ren. — Espero que não ligue para uma palestra sobre quando voltarmos. Isso é, se sobrevivermos.
— Bem, Ren-hakase, saiba que eu sou um aluno muito dedicado — as lentes dos óculos do garoto nerd ficaram brancas à luz fluorescente do quarto.
Os dois riram.
— E sobre sobrevivermos, hã… — Khoury coçou a nuca. — A senhorita Cynthia e a senhorita Miri me recapitularam tudo quando eu acordei uma meia hora atrás. Sobre o Brandon, a esfera que o ancião da vila te deu e tudo mais.
— A Cynthia contou do que ela planeja fazer? — perguntou Ren e Khoury negou com a cabeça.
Ren pegou a opalita que estava em cima do casaco e contou para Khoury o plano de Cynthia e o que aquela pedra era. Eles iriam usar o Núcleo de Mystri como isca sabendo que seria algo que Brandon iria querer e sabendo também que ele iria estar lá e aproveitar para prendê-lo antes que ele tramasse algo.
Khoury ficou atento a todo tempo enquanto Ren falava. Ele ajeitou os óculos na ponte do nariz e encarou Ren direto nos olhos.
— Okay, vou te ajudar no que você precisar! — exclamou ele. — Dessa vez eu vou ser forte e te ajudar, não vou fugir e nem bancar o otário. Você vai ver só! Vamos colocar aquele lunático no xilindró!
Ren sorriu.
— Bem, só de saber que você quer me ajudar já me deixa tranquilizado — ele abraçou Khoury que não pôde evitar ficar enrubescido pelo gesto, o corpo ficando rijo e imóvel como se tivesse sido petrificado, até que Ren reparou que ainda estava descamisado. — Vou me trocar. Melhor vestir algo também, lá fora está bem frio. A Srta. Cynthia deve ter mais roupas extras.
— Ce-ce-certo… — disse o garoto de óculos, encafifado, seus óculos embaçando. — E-e-eu vou indo… Fo-fo-fo-foi bom te ver.
Ren deu um risinho. Khoury se levantou da cama devagar, segurando a respiração, o corpo quase em movimentos robóticos de tão duro que ele parecia estar se movimentando devido à vergonha.
Depois de trocar-se, vestir as meias e calçar as botas que Cynthia ofereceu, ele se olhou no espelho da penteadeira. O casaco preto da campeã lhe cabia bem, eles deveriam vestir o mesmo número.
Ele sorriu confiante no espelho, ajeitando a franja e imaginou se ele poderia ser igual Cynthia ao menos por um instante. Ela era uma das treinadoras mais poderosas da região de Sinnoh e estava tête-a-tête em nível de poder com Lance na Liga Índigo. Ela era uma arqueóloga e paleontóloga de renome e respeito. Só a sua presença mostrava o quão imponente e poderosa ela era.
Se Ren pudesse ser apenas um por cento do que Cynthia era já seria suficiente.
Batidas leves à porta do quarto interromperam os pensamentos de Ren e antes que ele pudesse dizer que podia entrar, ele viu a própria Cynthia adentrando o quarto e com uma Luxury Ball em mãos e um fino sorriso nos lábios.
— Esse casaco ficou bem em você — disse ela se aproximando dele e ajeitando uma mecha de sua franja enquanto encarava-o na frente da penteadeira. — Se quiser ficar com ele eu não me importaria. Tenho no mínimo uma dúzia desses, um a menos não me faria falta.
— Obrigado — ele coçou o pescoço e encarou Cynthia ali do espelho.
— Bem, eu não tenho apenas isso para te dar — falou ela. — Acho que você merece um Pokémon também. Eu quero que fique com o Feebas, acho que depois do que conversamos mais cedo e de como você se sente, acho que este é o Pokémon que você precisa em sua equipe. Se lembra da pergunta que fiz a você?
Ren assentiu. Vai continuar nadando… ou vai deixar a correnteza levá-lo?
Aquilo ecoava em sua cabeça ainda tal como um mantra. Ele tinha que dar uma resposta a Cynthia, mas ele já sabia o que dizer para a campeã sinnohana.
— Acho que vou continuar nadando, Cynthia — ele disse. — Mas vou seguir a minha própria corrente. Escolher a água onde quero nadar.
— É uma boa resposta — ela diz com um sorriso. — As vezes são as escolhas que fazemos que moldam o caminho o qual trilhamos. A água muda, talvez você mude também. Quem será o Ren no futuro?
— Acho que nem eu sei — disse ele pegando a Pokébola da mão de Cynthia. — Obrigado pelo Feebas.
— Não me agradeça — ela disse. — Quando estiver pronto eu estarei do lado de fora com Miri. Iremos de snowmobile até Sinjoh.
Luca
Cidade em Ruínas de Sinjoh
A nevasca havia cessado. Luca e Kutabe estavam em um abrigo diferente, uma das construções de pedra da cidade amurada. Eles haviam, com sorte, encontrado urnas com óleo para produzir fogo em um dos braseiros e se aquecer. O problema do frio havia sido parcialmente solucionado, restava a fome o que era um problema ainda muito maior que o Absol teve que resolver com um resmungo. Ele era realmente um velho ranzinza.
Alimentar apenas ele seria fácil. Luca não era exigente, comeria qualquer coisa que o Absol trouxesse, mas a coisa era que Luca tinha consigo um Pokémon recém-nascido consigo, alimentar Togepi não seria uma tarefa fácil. Nada tinha preparado Luca para um Togepi.
O Zorua recém-capturado também era só mais uma boca a mais. A raposa fantasma encarava Luca com aqueles olhos grandes da cor de um luar outonal e meneou a cabeça para o lado enquanto Luca puxava a Pokédex para analisar a criatura para saber mais informações.
Ainda não há dados sobre este espécime. Cheque com o professor Pokémon ou autoridade científica mais próxima. Fotos e dados foram coletados e armazenados na memória interna da Pokédex.
A Pokédex deveria saber que Pokémon era aquele, pois se aquilo era um Zorua, a Pokédex deveria escaneá-lo como tal. Se Luca não estivesse no meio do nada ele ainda poderia acessar a internet em seu celular e consultar as informações referentes àquele Pokémon.
O menino soltou um suspiro prolongado e encarou a raposa alba. Ele estendeu a mão para que ela o cheirasse para mostrar que ele não representava nenhuma ameaça. Era assim que ele tinha feito quando conhecera Styx, o Houndour de Ren, talvez esse método também funcionasse com o vulpídeo.
— Eu não vou te fazer mau nenhum, carinha — disse o garoto. — Ou será que você é uma garota? Togepi eu sei que é uma garota, mas já você a Pokédex não confirma nada já que para ela você nem existe.
A raposa virou a cabeça de lado confusa com o que o menino havia perguntado, mas depois ergueu-a e com a patinha apontou para Luca e deu um som que parecia um riso de criança esganiçado, quase como um grito engasgado.
— Um menino, eu sou um menino — era como se ele houvesse dito para Luca naquele riso-latido todo esganiçado. — Eu sou um menino.
— Ainda não me acostumei a essa coisa de ouvir Pokémon em momentos aleatórios — disse encarando a raposa cor de neve. — Hã… Você tem um nome?
Dessa vez Luca não ouviu o Pokémon falando consigo, mas um sonoro ganido que ele só pôde traduzir como três yap-yap’s seguidos. Nenhuma voz surgiu em sua mente. Nada. Ele apenas deu um sorriso nervoso e assentiu com a cabeça.
Ele não sabia como toda essa coisa de ele conseguir entender os Pokémon funcionava. Na Caverna Escura ele havia escutado a voz do Dudunsparce, se ele não tivesse ouvido a súplica do tsuchinoko ele e seus amigos teriam sido atacados pela serpente. Também havia Kutabe agora a pouco, mas ele era um Absol, ele parecia velho o suficiente para ter aprendido a língua dos humanos e telepatia, fora que Luca também não conhecia necas de pitibiriba sobre os Absol para deduzir isso.
Por falar no diabo, sons leves de patas adentraram a casa na acrópole da cidade abandonada. Era Kutabe que trazia consigo uma trouxa de pano cheia de coisas e a jogou no colo do garoto e logo se aconchegou diante do braseiro em chamas e resmungou apenas um:
— Agradeça, pirralho!
— Hã, obrigado, Sr. Kutabe — ele disse, um pouco encafifado, ele abriu a trouxa e viu o que parecia ser uma refeição mais do que completa. — C-co-como? Como você conseguiu tudo isso, velhote?
— Os aldeões deixam nas encruzilhadas na estrada essa comida como oferenda aos espíritos e aos deuses deles — disse a esfinge para o garoto. — Eu peguei mais que o suficiente. Você não vai morrer de fome.
Luca olhou para a comida na trouxa lá havia dois pães de centeio, frutas secas, uma garrafa de leite, um bloco de queijo e outro de manteiga, uma lata de chá, uma corda de salsichas defumadas e uma caixinha de doces. Aquilo era muita coisa
— Não faz mal a gente, sei lá, pegar oferenda que deveria ser para os espíritos? — pergunta Luca.
— Pegue, eles não se ofenderão — diz a esfinge. — Eles ficarão ofendidos se você se juntar a eles por que morreu de fome. Coma! Alimente a Togepi! Alimente o Zorua!
— Não precisa resmungar, velho! Eu já ia dar de comer para os dois! — Luca exclama de volta.
O garoto rondou a casa e procurou por algo que poderia servir de recipiente. Como a casa era na acrópole da cidade ela era maior que a casinha onde estavam antes, ele conseguiu encontrar um caldeirão que estava sujo de neve, mas já seria o suficiente para aquecer o leite para Togepi e uma chaleira para preparar chá.
Ele encheu ambos com neve e colocou-os no braseiro para derreter e ferver, ele poderia aguentar a fome um pouco mais se ele fizesse tudo para seus Pokémon. Ele pegou os utensílios de cobre e fez o que pode para evitar o contato do azinhavre com a comida e assim se serviu de um sanduíche mal-feito de salsichas e queijo e ofereceu algumas para Zorua que mastigou-as com voracidade.
— Como é que a Christina faz com a Pam quando vai dar a mamadeira? — ele se perguntou segurando a garrafa de leite que estava pelando depois de tirar do caldeirão. — Isso aqui tá muito quente. Será que eu tenho que esfriar isso um pouco?
— E você ainda pergunta? — indaga o Absol. — Espero que não tenha filhos, pivete. Esfrie um pouco isso, as papilas gustativas acabaram de nascer, não vamos destruí-las e traumatizar a pequenina.
Luca olhou de canto de olho para o Absol e revirou-os. Ele pegou a garrafa de leite e enfiou-a num montinho de neve perto de uma das janelas abertas e contou dois minutos em seu celular que estava a pouco de descarregar.
— Eu não tenho culpa, minha madrasta usa um microondas para esquentar a mamadeira da minha irmã — ele disse. — Nunca fiz isso manualmente, sabia?
— Humpf, vocês humanos não conseguem fazer nada — fala o Absol. — Aliás, o que é um microondas?
Luca deu uma risada enquanto abaixava-se para pegar a garrafa de leite já morna do montinho de neve, ela parecia já estar numa temperatura boa para dar de mamar para Togepi.
— Te explico depo…
Antes que pudesse terminar a frase sons de passos ecoaram pela casa e assim que Luca virou-se ele sentiu seu corpo paralisar enquanto ele perdia o domínio sobre seus movimentos e era levitado no ar. Togepi e Zorua também foram erguidos pela força paranormal. Absol se pôs em posição de ataque e grunhiu, sua lâmina da cabeça brilhando em uma aura rubra como um eclipse lunar.
Os passos aumentaram. Ren olhou de canto de olho e um homem vinha, alto, gordo, usando roupas cáqui estereotipadas de um explorador de ruínas de um filme clichê. Era Benjamin Brandon que o olhava frio, seu bigode sujo de sangue e o sorriso cúprico e cruel.
Ao seu lado um Pokémon cor de azinhavre flutuava, não era um Bronzor como antes, mas um Pokémon maior em formato de um sino de santuário, os olhos vermelhos encaravam Ren enquanto usava seus poderes psíquicos para manter ele e seus Pokémon parados em suspensão no ar.
Brandon caminhou até ele, seu sorriso férreo e sujo, marcado por uma intenção cruel. Ao redor dele uma miríade de Unown o cercava, hipnotizados, confusos, seguindo-o como zangões seguiam uma Vespiquen rainha.
— Vejo que nos encontramos de novo — ele disse caminhando até Luca, passando a mão em seu rosto. — Você e aquele seus dois amiguinhos conseguiram. Vocês me deteram lá nas Ruínas de Alph, mas também conseguiram me dar o sonho de minha vida: Sinjoh. Vocês destruíram o que eu tinha, mas graças a vocês eu vou poder executar um segundo plano que eu tinha em mente: O Feitiço dos Unown.













