Páginas Rasgadas
Descrição
Um amontoado de páginas rasgadas de um livro que outrora esteve na biblioteca da Universidade de Jubilife, um volume único, publicado sob a coautoria de Samuel Carvalho, Charles Featherstone e Rowan, pesquisadores de Kanto, Johto e Sinnoh, respectivamente. As páginas parecem ser sobre um artigo científico em conjunto sobre os misteriosos Pokémon Unown. As páginas estão cheias de rabiscos e anotações ilegíveis.
A Origem dos Unown
Os Unown são Pokémon advindos de outro plano dimensional, uma dimensão liminar chamada de Dimensão Unown como foi cunhada pela cientista e especialista em dimensões alternativas, Professora Burnet, nativa de Unova e residente em Alola. Esta dimensão seria como uma interseção entre a realidade e o imaginário, Burnet interpretou esta dimensão como vizinha a outra que ela descobrira em seus estudos com Fennel em Unova, a Zona Entressonhos, um espaço entre os sonhos e o despertar que não é acessível aos seres humanos, apenas a certos Pokémon.
A Dimensão Unown é um espaço liminar entre diferentes dimensões, mas não podendo ser acessada por meios convencionais, sendo os únicos capazes de atravessá-las os seus próprios habitantes e Pokémon extradimensionais de classe superior como Dialga, Palkia, dentre outros.
É teorizado que os Unown surgiram no princípio do universo quando Arceus o criou, sendo tido como seus “mil braços” quando escreveu a realidade como conhecemos e sendo fragmentos minúsculos do seu poder incomensurável. Os Unown são, em tese, o código-fonte no qual a realidade é firmada.
Biologia e comportamento
Os Unown não comportam-se como as formas de vida normais uma vez que eles em si desafiam a própria noção de vida como se conhece, havendo inúmeros debates se poderiam classificar ou não como Pokémon.
Seus corpos são compostos por um estrutura achatada e bidimensional em um plano tridimensional possuindo um único olho ciclópico e apêndices que variam conforme as formas deste Pokémon havendo, ao total, vinte e oito registradas atualmente.
De acordo com registros conjuntos de Professor Carvalho de Kanto, Professor Rowan de Sinnoh e Mr. Pokémon de Johto, os Unown não apresentam uma estrutura celular ou qualquer organela ou material genético em seu corpo, além de não realizar processos metabólicos como comer ou dormir, além de não se reproduzir ou ter quaisquer indicadores de sexo. Também foi observado que os Unown não projetam sombras e que sua levitação se dá de forma que eles negam a gravidade ao seu redor em uma escala tão minúscula que repelem seu puxão.
Em comportamento são criaturas tímidas e agorafóbicas, possivelmente um reflexo de sua natureza extradimensional. Eles não possuem livre arbítrio como muitos Pokémon, ficando passivos de qualquer ação, nunca atacando por conta própria ou tomando a primeira ação, apenas contra-atacando por defesa própria com o único golpe em seu repertório, Hidden Power, que diferente de como ocorre em muitos Pokémon, este golpe sempre dará dano super-efetivo no oponente.
Também é observado que os Unown possuem uma sensibilidade grande ao espectro de emoções, tanto humanas quanto de Pokémon, por conta da sua afinidade psíquica, sendo capaz de perceber estes sentimentos e vontades, embora, eles mesmos não sejam capaz de expressá-los.
Em um estudo conduzido pelo Professor Carvalho em parceria com o Professor Rowan nos anos 1990 foi percebido que os Unown parecem se comunicar com alguma forma de onda de comprimento, mas é incerto se se trata de uma onda de som ou rádio, uma onda eletromagnética ou mesmo por telepatia. Experimentos utilizando diferentes equipamentos medidores provaram-se ineficazes, visto que ocorreram falhas técnicas devido aos testes com os Unown e, por conta disso, este estudo foi visto pela comunidade científica como um fracasso e consideraram o estudo como pseudociência.
Neste mesmo estudo foi observado que, quando dois ou mais Unown se juntam um “poder estranho” é desperto, porém, por casualidades técnicas mencionadas acima, nenhum registro conseguiu ser gravado o que fez o estudo ser desconsiderado por algumas autoridades científicas de renome, embora tenha sido registrado na entrada da Pokédex do mesmo Pokémon.
Descoberta dos Unown nos tempos modernos — Hisui (anos 1860 - período colonial)
Os Unown foram registrados pela primeira vez em um índex de espécies regional na região de Hisui, a atual Sinnoh, durante meados dos anos 1800 em um estudo conduzido por Henry Augustus Laventon, professor e biólogo membro do Corpo de Exploração da Equipe de Expedição Galáxia, responsável pela primeira Pokédex da região durante o período colonial.
Ele anotou em seus diários de campo sobre os estranhos Pokémon que encontrou nas Ruínas de Solaceon, nos Pantanais Carmesins ao sul de Hisui com a ajuda de seus assistentes, Toyoguchi Akari e ⏹⏹⏹ (o nome foi riscado nos registros originais da Pokédex e deixado assim em edições futuras). Em seus registros ele observou os Unown do seguinte modo:
“É difícil acreditar que esses Pokémon de formato estranho são criaturas realmente vivas. Eu apontei que as muitas formas da espécie se assemelham a escritas de outras terras; ninguém me levou a sério.”Tendo como base isso, leva-se a crer que a comunidade científica internacional não foi generosa com Laventon, o que fez os estudos sobre os Unown e sua relação com as linguagens humanas, como ele tinha teorizado, ser eclipsado e esquecido por algumas décadas. Laventon teorizava que os antigos habitantes da região de Hisui, o povo Celestica, que precedia a chegada dos Clãs Diamante e Pérola, usavam os Unown como uma forma de escrita embora também usassem de uma escrita própria com pictogramas que remetiam aos Pokémon que veneravam naquelas terras como observado em cavernas e ruínas espalhadas por Sinnoh.
Redescoberta dos Unown - Johto, 1968, Xogunato Yamata
Em 1968, em Johto, antes das Guerras Fronteiriças, quando a nação estava sob domínio Yamata, durante as obras de expansão ferroviária da empresa Dosei Railroad, que buscava conectar a capital regional de Goldenrod às cidades de Violet e arredores, uma série de ruínas antigas foi acidentalmente descoberta nos vales centrais de Johto, ao longo do curso do Rio Chidomegusa. Surpreendida pela dimensão e complexidade dos achados, a companhia interrompeu as obras e passou a financiar escavações sistemáticas, convidando a Universidade de Goldenrod a participar da investigação arqueológica.
A expedição foi liderada pelo renomado arqueólogo e historiador da arte antiga, Professor Franciscus Ignatius Silktree, especialista em civilizações pré-históricas do nordeste de Kanto e da região de Johto. Sob sua supervisão, formou-se um corpo técnico composto por escavadores, linguistas, estudiosos de Pokémon antigos e outros especialistas, dando início ao que viria a ser uma das descobertas arqueológicas mais importantes do século XX no mundo Pokémon.
As escavações revelaram os restos de uma cidade-estado até então desconhecida, identificada posteriormente como a Antiga Alph, mencionada apenas vagamente em fragmentos de textos dos Períodos Wa (1250 A.EC – 170 EC) e Toyo (171 EC – 255 EC). A civilização Alph era tida nesses registros como já antiga até para os padrões da época, sendo agora considerada um dos mais antigos assentamentos urbanos já encontrados na região, possivelmente contemporânea ou anterior aos primeiros registros da escrita humana.
O ponto mais intrigante das ruínas encontrava-se na porção norte do complexo, onde grandes salões cerimoniais estavam decorados com inscrições que não correspondiam a nenhum sistema de escrita humana conhecido, mas que Silktree imediatamente reconheceu de suas análises prévias das Ruínas de Solaceon, em Sinnoh, e dos manuscritos do Professor Laventon durante a era colonial de Hisui.
A partir daí, dois membros fundamentais da equipe, o linguista Adam Longfellow Hale e sua esposa, a criptógrafa Makomo Fujiwara, deram início ao que seria a primeira tentativa moderna de tradução sistemática da escrita dos Unown, que associaram diretamente aos símbolos encontrados nas ruínas Alph. Eles foram os primeiros a teorizar sobre o que veio primeiro: a escrita ou os Unown.
Essa conexão entre os Unown e a linguagem humana acendeu um novo debate multidisciplinar entre historiadores, linguistas, psíquicos e estudiosos de Pokémon. Passou-se a considerar seriamente a hipótese de que os povos antigos não criaram sua escrita a partir da observação da natureza, mas sim da interpretação e incorporação dos próprios Unown em sua cultura cotidiana.
Unown em outras localidades
Além das célebres ruínas em Johto e Sinnoh, vestígios da presença dos Unown foram identificados também no remoto Arquipélago Sevii, especificamente na região da Ilha Sete e em suas ilhotas ao sul, adjacentes ao Desfiladeiro Sevault. Nestes locais, estruturas de pedra antigas distribuídas em sete câmaras, conhecidas coletivamente como as Ruínas de Tanoby, revelaram inscrições formadas unicamente por figuras Unown, indicando o uso do alfabeto desses Pokémon como principal sistema de escrita por uma civilização regional extinta, os Tanoby.
Ao contrário de outras culturas que adotaram o braille como meio de registro, como observado em algumas ruínas na Ilha Seis, os Tanoby desenvolveram um sistema simbólico baseado quase exclusivamente nos Unown. A escolha dessa escrita sugere um contato direto e prolongado com esses Pokémon, levantando hipóteses de que eles não só os cultuavam como entidades sagradas, mas também os viam como intermediários entre os mundos físico e metafísico.
A civilização Tanoby, contudo, não era particularmente grandiosa em termos territoriais ou tecnológicos. Estudos arqueológicos e etnohistóricos indicam que se tratava de um povo insular modesto, composto por aldeias descentralizadas com uma cultura fortemente espiritual e voltada para a observação dos astros, do mar e do comportamento de certos Pokémon. Seu legado foi, com o passar dos séculos, assimilado pelas populações vizinhas das demais ilhas Sevii, culminando na gradual diluição de sua identidade cultural.
Por volta do século XVII, com a intensificação da colonização do arquipélago por Kanto e a consequente imposição de estruturas administrativas externas, os últimos traços da cultura Tanoby desapareceram do cotidiano local. Ainda assim, as câmaras rituais e as inscrições Unown permaneceram preservadas, sendo objeto de fascínio e estudo por parte de linguistas e historiadores modernos.
A presença dos Unown em Tanoby reforça a hipótese de que esses Pokémon foram conhecidos e venerados por múltiplas culturas em distintos pontos do globo, muitas delas sem contato entre si, o que levanta novas questões sobre como elas entraram em contato com os Unown.
O Hidden Power e os Unown
O Hidden Power se categoriza como um golpe do tipo Normal que dependendo do usuário pode assumir qualquer tipo quando usado dependendo se suas individualidades, podendo ser uma carta coringa em certos combates. No caso dos Unown este movimento — que é o único aprendido pela espécie — configura-se de maneira diferente, sempre se manifestando como um poder misterioso que, diante de um oponente, ataca-o com um golpe super-efetivo, ignorando as particularidades deste movimento em circunstâncias comuns com outros Pokémon.
Acredita-se que o Hidden Power, quando manifestado pelos Unown, seja, nada mais, que um fragmento minúsculo do poder elemental d’O Original, Arceus, sendo um caco daquilo que é construído a realidade, puxando da energia elemental para contra-atacar seus oponentes e poderem escapar, dado à sua natureza arisca e tímida.
O “poder estranho” dos Unown
Em meado dos anos 1990, os Professores Samuel Carvalho, da região de Kanto, e Rowan, da região de Sinnoh, com o auxílio do Professor Charles Featherstone, da região de Johto, realizaram um experimento colaborativo com o intuito de compreender melhor a natureza dos Unown para fins de registro nas suas Pokédex regionais. O estudo buscava verificar padrões comportamentais, possíveis formas de comunicação e o potencial energético dos Unown quando reunidos em grupos.
Durante o experimento, foi registrado que, ao se agruparem em número superior a dois, os Unown desencadearam o que os pesquisadores descreveram como um “poder estranho” — um tipo de manifestação que escapava às leis conhecidas da física e da biologia Pokémon. Embora os resultados tenham sido dramaticamente marcantes, quase nenhum registro físico sobreviveu, já que os equipamentos utilizados para coleta e documentação foram danificados de maneira irreversível, aparentemente como consequência direta da presença dos Unown.
Trechos do diário de campo do Professor Carvalho descrevem a ocorrência:
“As luzes oscilaram e, uma a uma, cada lâmpada do laboratório estourou. Circuitos de vários dispositivos entraram em curto; perdemos duas placas-mãe, e a câmera que usávamos para registrar os Unown sofreu danos severos. Por sorte, alguns assistentes conseguiram remover os equipamentos restantes antes que fossem inutilizados. Os rolos de filme, infelizmente, foram comprometidos.
O mais inquietante não foram os danos elétricos, já estive em situações semelhantes ao estudar Pokémon como Magnemite e Magneton no passado. O que veio em seguida, no entanto, foi... inclassificável. A sala pareceu se inverter: os móveis estavam no teto, as luminárias no chão. Minha mesa de mogno brotou galhos e raízes, como se estivesse voltando a ser árvore. Livros flutuavam como se o tempo ou a gravidade não os afetasse. Um dos assistentes relatou sentir odores de objetos inexistentes. Enquanto outra assistente minha relatou que conseguia ver as paredes da sala se dobrando sobre si mesmas e expandindo-se. Rowan disse ter visto ‘coisas que não deviam estar ali’, algo saído de um livro de fantasia. Nós não sabíamos como nomear aquilo. Talvez fosse um tipo de reação defensiva, ou uma anomalia temporal-espacial espontânea provocada pela consciência coletiva dos Unown. Mas era, de fato, um poder estranho. Um poder real.
Temo que o Conselho Interregional de Pesquisa Pokémon e as Universidades de Celadon, Goldenrod e Jubilife não darão crédito a esse relato. Talvez apenas Westwood, com sua mente aberta, aceite incluí-lo, ao menos parcialmente, na nova Pokédex eletrônica que estou desenvolvendo.”
Até hoje, a natureza exata desse “poder estranho” permanece sem explicação. Há teóricos que sugerem se tratar de uma resposta de defesa extraplanar dos Unown, uma manifestação espontânea de distorção da realidade causada por sua origem extradimensional e seu possível papel como elementos estruturais da própria linguagem universal. Outros acreditam que a conjunção de múltiplos Unown cria um campo psíquico que desestabiliza o contínuo espaço-tempo local, revelando realidades sobrepostas ou ocultas.
A escassez de dados concretos e o ceticismo da comunidade científica impediram a validação formal dessas observações. Contudo, os relatos sobreviventes alimentam até hoje o fascínio e a inquietação em torno das verdadeiras capacidades dos Unown.
Os Unown e a impopularidade entre treinadores
Apesar de gerarem intensos debates em algumas esferas da comunidade acadêmica, os Unown permanecem como uma grande incógnita fora desse meio. Para o público em geral, são amplamente considerados um enigma sem utilidade prática e, para muitos, uma decepção marcante no mundo das jornadas Pokémon.
Com a popularização das jornadas entre jovens em idade escolar, fortemente incentivadas por governos regionais, pelas Ligas Pokémon e instituições como o Comitê da Fita, muitos treinadores acabam se deparando com os Unown ao explorar regiões como Johto, Sinnoh ou o arquipélago Sevii. A aparência incomum, somada à aura de mistério, costuma atrair treinadores novatos curiosos, que os capturam esperando uma criatura poderosa ou rara. No entanto, logo descobrem que os Unown possuem um repertório incrivelmente limitado de movimentos aprendendo apenas o ataque Hidden Power, e apresentam pouquíssima versatilidade em batalha.
Como consequência, a maioria dos treinadores acaba liberando os Unown pouco tempo após a captura, percebendo sua ineficácia tanto em confrontos quanto em competições. O mesmo vale para coordenadores de concursos, que consideram os Unown pouco expressivos visualmente, com estética rígida, monocromática e sem dinamismo performático, o que os torna inviáveis para a conquista de fitas em diferentes categorias.
Uma pesquisa realizada pela revista de viagens Trainer’s Next Stop, em colaboração com o Goldenrod Metropolitan Technical College (ou apenas Goldenrod Tech) e a empresa parceira da Liga Índigo, Sub Rosa, analisou os dados de capturas de participantes da Liga Índigo e do Grande Festival do ano de 2008. Entre milhares de treinadores registrados, apenas 0,0002% relataram ter capturado um Unown durante sua jornada — um dos índices mais baixos já registrados para qualquer espécie de Pokémon documentada nas regiões participantes.
Treinadores que experimentaram usar os Unown em batalha compartilham relatos semelhantes:
“Estive a passeio com a minha escola nas Ruínas de Alph, bem antes de começar minha jornada,” conta Makimura Hiroko, 15 anos, natural de Celadon, Kanto, e competidora da Liga Índigo de 2008. “Eu já tinha dois Pokémon comigo quando vi esses bichinhos estranhos numa das câmaras. Pensei: ‘Ah, vai ser legal capturar um, né?’. Tudo isso só pra descobrir que o bicho só sabia usar Hidden Power e nada mais. Fiquei travada na batalha e perdi nas eliminatórias de um torneio em Goldenrod por causa disso. Liberei o Unown logo depois. Me arrependi de ter perdido tempo.”“Capturei esse Unown numa das câmaras da Ilha Sete, enquanto explorava o Sevault Canyon,” relata Phillip Asterid, 16 anos, coordenador nativo da Ilha Quatro, no arquipélago de Sevii, e participante do Grande Festival de 2007. “Achei que seria incrível usar um Pokémon raro como ele num Contest, pensei que me renderia minha quarta fita fácil. Mas fiquei frustrado — ele não aprende absolutamente nada! E aquele olho gigante com corpo achatado... sinceramente, é feio demais. Nenhum jurado se impressionaria com aquilo. Liberei depois de alguns dias. Não sinto falta nenhuma.”











