Lyra
Saída da cidade de Violet, Johto
Segunda-feira, 16 de maio
Eles não tomaram café da manhã em Violet, mas à beira da auto-estrada próximo a Rota 32. Pierce havia recebido uma mensagem logo cedo: seu avô, Mr. Pokémon, queria encontrá-los em um café na cidade antes da partida. Era uma oportunidade de se despedirem antes de seguirem em frente com suas jornadas.
Não fazia muito tempo desde a última vez que tinham visto Mr. Pokémon, mas com tudo que tinha acontecido ao longo dos últimos dias, fazia parecer que tinham visto o velho cientista há eras atrás, não há duas semanas. Lyra ainda se lembrava com clareza do que acontecera na Caverna Escura com aquele Dudunsparce gigantesco e de como havia capturado sua Dunsparce no mesmo dia.
O café onde Mr. Pokémon os convidou para tomar café da manhã ficava próximo à saída da cidade de Violet, um local simples, mas até que era bonito o suficiente para merecer uma foto. Uma grande árvore de apricorn amarela se erguia imponente, marcando o ponto exato do encontro. Sob a copa frondosa e carregada de frutos dourados, mesas com guarda-sóis ofereciam sombra em um ambiente tranquilo.
Em uma mesa, sentado à companhia de um Xatu, estava um senhor de idade de terno, chapéu e cachecol de lã bebericando uma xícara de café e lendo um jornal. Era Mr. Pokémon.
— Vovô! — Pierce grita e corre de encontro ao avô, abraçando-o, fazendo com que o cientista derrubasse o jornal no processo.
— Vô-drasto! — grita Luca que corre também em direção ao avô, abraçando-o também,
— Cuidado, cuidado, estou segurando café quente — alerta Mr. Pokémon. — Que bom vê-los. Sentem-se, sentem-se.
— Oi, Mr. Pokémon — diz Lyra se sentando à mesa, Ren juntou-se logo em seguida.
— Olá, Mr. Pokémon — acrescentou ele.
— Como vocês estão? Sei que não faz tanto tempo desde que nos vimos, mas os dias têm sido tão agitados que parece que passou uma eternidade — disse o cientista, os olhos brilhando com a vivacidade de quem sempre tem uma boa história para contar. — Me contem as novidades. Como foi a cidade de Violet para vocês quatro?
— Bem, aconteceu tanta coisa nessas últimas semanas, vovô — comentou Pierce, coçando a nuca, parecendo um pouco envergonhado, como se tivesse acumulado muitas experiências. — Venci meu primeiro desafio na Batalha da Fronteira e também capturei um Pokémon novo, uma Pineco!
— Uma Pineco? Que incrível — diz ele. — Não são incomuns, dá para se encontrar em qualquer árvore por Johto, mas é de se surpreender que tenha pego uma. Mais alguma coisa, meu neto?
— Hã, eu, er… eu terminei com a minha namorada, a Catty — disse coçando a nuca.
— E você está bem depois disso? — pergunta o avô ao neto, encarando-o nos olhos. — Sei que vocês jovens de hoje estão sempre indo e vindo em seus relacionamentos. Um término não é algo fácil ou leviano.
— Eu… eu estou bem, vovô — diz Pierce. — A gente já não estava funcionando a um tempo e o namoro estava ficando bem tóxico.
— Se você está dizendo, irei acreditar. É bom evitar coisas tóxicas em nossa vida, que da próxima vez você se apaixone por alguém que seja um antídoto para o seu coração — ele dá um sorriso e se vira para Luca. — E você, meu querido, como tem andado o ovo que te dei, algum progresso?
— A Enfermeira Joy no Centro Pokémon quando fez um checkup nele disse que ele nasceria em breve — diz o garoto. — Eu tô muito ansioso para ver o carinha que vai nascer daqui.
— Está, é? — Mr. Pokémon sorriu. — É uma grande responsabilidade cuidar de um Pokémon, ainda mais da espécie que virá dele. É um Pokémon raríssimo! — o cientista enfatiza esta parte. — Mas acredito que você e seu futuro primeiro parceiro se darão bem. E quanto a vocês dois, não posso deixar que meus netos me monopolizem, contem as novidades de vocês também!
Mr. Pokémon se vira para Lyra e Ren, encarando-os, após repousar sua xícara de café sobre a mesa.
— Eu capturei um Pokémon novo também — começa Lyra. — Um Meowth. E também consegui a minha primeira insígnia.
— Que incrível — assente Mr. Pokémon. — A primeira insígnia de oito. Se continuar neste ritmo talvez conseguirá oito insígnias antes da Liga Índigo em novembro. E um Meowth? Bem. É um Pokémon comum em cidades, mas pode vir a calhar, sabe? Pokémon Normais sempre têm um truque ou dois nas mangas. Mas e você, Ren?
— E-eu…? — ele titubeou em sua resposta, olhando com certo nervosismo. — Bem, eu peguei uma Murkrow e… hã… e só.
— Ainda é alguma coisa — comenta Mr. Pokémon. — Nem todo treinador faz algo empolgante todo dia como ganhar uma insígnia ou um desafio da Batalha da Fronteira ou tem notícia de um ovo prestes a chocar. Uma captura volta e meia ocorre, mas não fique aí todo aborrecido por isso.
— Não, não é isso — diz Ren, ainda cabisbaixo. — Deixa para lá. Não é nada. É só que… Não aconteceu muita coisa comigo mesmo…
— Se você diz, criança — fala o cientista. — Também tenho algumas novidades para compartilhar e alguns presentes para vocês, mas antes, façam seus pedidos. Aposto que estão famintos!
Erguendo a mão Mr. Pokémon chamou pelo garçom e os quatro adolescentes fizeram seus pedidos. O café da manhã foi farto, cada um havia pedido algo diferente, Pierce pedira um yakisoba-pan enquanto Lyra e Ren pediram ambos um pedaço de bolo de Pink Apricorn, Luca que ousara um pouco pedindo um Cinnabar Lava Burger.
Os Pokémon do grupo também haviam sido liberados. O café tinha um espaço para os Pokémon brincarem, um pequeno playground, além de oferecerem comida a eles de acordo com suas dietas específicas.
Ao Meowth de Lyra havia sido oferecido uma tigela de patê de peixe, enquanto seu Totodile devorava nacos de carne crua, a única que comia uma opção mais vegana era sua Dunsparce que mascava raízes e cogumelos desidratados. O Houndour de Ren comia uma tigela de ração saborizada de carne ao lado de Murkrow que ciscava sementes junto do Xatu de Mr. Pokémon. O Gligar de Pierce sorvia sangue sintético enquanto Sentret roía berries e castanhas, já Pineco sorvia néctar de fruta.
— Bem, que bom que vieram, eu precisava vê-los. Eu estava na cidade antes de vir para cá e comprei algumas coisas que podem ser úteis na jornada de vocês — explicou, retirando os primeiros itens da sacola. — Também encontrei algumas Pokédex sobressalentes no depósito lá na fazenda, então dei uma atualizada no banco de dados e decidi distribuí-las. Não é justo só a Lyra ter uma, certo?
Ele entregou três dispositivos semelhantes a celulares de flip, idênticos à Pokédex que Lyra recebera do Prof. Elm em New Bark, mas com cores diferentes. Uma vermelha para Pierce, uma índigo para Ren e uma azul para Luca. Lyra sorriu ao ver as Pokédex, imaginando quantas aventuras ainda teriam pela frente, agora equipados com as ferramentas certas para registrar tudo. Em seguida, o cientista retirou mais itens da sacola: pequenos amuletos hexagonais de tom azul, com uma argola para serem pendurados nas bolsas dos treinadores.
— Estes são para todos vocês — disse Mr. Pokémon, com um olhar satisfeito. — São Exp. Charms. Como estão viajando juntos, a experiência que ganharem será compartilhada igualmente. Assim, ninguém fica para trás ou se sente excluído.
— Que incrível, vovô! — exclamou Pierce, segurando o Exp. Charm antes de passá-lo para Lyra, que o recebeu com um sorriso. — Isso vai facilitar muito nos treinos.
— Que bom que gostou, porque tenho algo especial para você — disse Mr. Pokémon, puxando uma pequena caixa da sacola e entregando-a a Pierce.
O garoto abriu a caixa, e lá dentro encontrou uma corrente com uma presa branca e afiada. Pierce franziu a testa por um momento, curioso.
— Isso é para o seu Gligar — explicou o avô, observando o neto com um sorriso orgulhoso. — É uma Razor Fang. Ela aumenta a chance de causar um efeito de recuo no oponente em 10%. Pode ser muito útil para o seu Gligar no futuro, vai por mim.
— Valeu, vovô! Vou dar para ele agora mesmo! — Pierce não conseguiu conter a empolgação e logo imaginou como seu Gligar ficaria usando a Razor Fang.
— Agora, Lyra, um presente para você como treinadora.
Mr. Pokémon entregou uma caixa roxa para a garota, que abriu com curiosidade. Dentro, havia um lenço branco, macio ao toque, que imediatamente lhe chamou a atenção.
— É para sua Dunsparce — explicou o cientista. — Este é um Silk Scarf. Quando ela usar, os golpes do tipo Normal terão 20% mais dano. Fora isso, ela vai ficar uma gracinha com ele, não acha?
— Obrigada, Mr. Pokémon! — agradeceu Lyra, sorrindo enquanto segurava o Silk Scarf com carinho. Era como um presente que não só ajudaria sua Pokémon, mas também a deixaria ainda mais adorável.
— Luca, agora é sua vez.
Mr. Pokémon retirou mais uma caixa da sacola e a entregou ao neto. Luca a abriu com calma, embora com certa expectativa. Dentro, estava uma pedra brilhante, que parecia emitir reflexos de luz quando era tocada.
— É uma Shiny Stone — disse o cientista com um sorriso faceiro em seu rosto, olhando para o neto e depois para o ovo sobre a mesa. — Uma pedra evolutiva. Talvez ela seja útil para o futuro, quem sabe?
Luca sorriu, surpreso com o presente. Ele olhou para a pedra com admiração.
— Obrigado, vô-drasto! Vou guardar com carinho — disse Luca, sabendo que aquele item seria importante em sua jornada.
— E agora, Ren, seu presente!
Mr. Pokémon entregou uma pequena caixa a Ren, que a abriu rapidamente. Dentro, estavam um par de óculos escuros com um design simples, mas estilosos.
— São Black Glasses — explicou o cientista. — Eles aumentam o poder dos golpes do tipo Sombrio, assim como o Silk Scarf faz com os golpes Normais. Achei que eles ficariam ótimos no seu Houndour.
Ren olhou os óculos com um sorriso discreto, imaginando o visual de seu Pokémon usando-os. Ele sabia que aquilo seria útil.
— Bom, ainda tenho outros presentes, mas, antes disso, preciso pedir um favor a vocês.
Mr. Pokémon pegou sua mala do chão e a abriu com um movimento ágil. De lá tirou uma cápsula de acrílico, abrindo-a, revelando uma Pokébola áurea e argêntea com as iniciais G.S. entalhadas na parte de cima da esfera.
— Nas últimas duas semanas, estive investigando uma Pokébola que recebi pelo correio de uma amiga pesquisadora das Ilhas Laranja e…
— Espera, uma Pokébola? — interrompeu Lyra, surpresa.
— Sim, e por incrível que pareça, ela é diferente de qualquer outra que já vi — disse Mr. Pokémon, com um tom de mistério na voz. — A Professora Ivy tentou me enviá-la via transportador, mas não conseguiu. Então, mandou pelo correio. Ela a chama de Bola GS. O Professor Carvalho também deu uma olhada e fez algumas anotações, que me enviou junto com ela.
— GS? — questiona Ren. — Parece com o nome que demos para o nosso grupinho. GS Squad.
— Que coincidência fascinante — sorri Mr. Pokémon.
— O que tem de especial nessa Pokébola, vô-drasto? — perguntou Luca, interessado. — Agora estou curioso!
— Ha-ha, perdão pelo suspense — riu o cientista. — Essa Pokébola é realmente incomum. O material dela parece ser ouro e prata genuínos! E o mais curioso é que ela não abre de jeito nenhum.
— Não abre?! — Lyra arregalou os olhos, surpresa.
Mr. Pokémon assentiu com um gesto sério, inclinando-se ligeiramente para frente.
— Já tentei de tudo — confessou. — Exames de raio-X, ressonância magnética, até mesmo pulsos eletromagnéticos controlados… Nada. A Bola GS permanece completamente selada, como se estivesse trancada por dentro com alguma tecnologia ou energia além da nossa compreensão.
Ren franziu a testa, pensativo.
— Então... ninguém sabe o que tem dentro dela?
— Exatamente — disse o cientista, endireitando-se na cadeira. — Pode estar vazia... ou conter algo que não estamos prontos para descobrir. Bem, a Bola GS é um grande de um quebra-cabeça e eu confesso que ela ficaria melhor se pudesse ser estudada por um especialista de verdade e é aí que vocês entram.
— Nós? — indaga Pierce.
— Eu tenho um velho amigo, Kurt Aprismith — disse Mr. Pokémon, com um brilho nos olhos. — Ele é um artesão de Pokébolas renomado. O clã Aprismith fabrica Pokébolas do modo tradicional há quase duzentos anos. Todas feitas de apricorns, como nos velhos tempos. Mesmo com a industrialização, eles nunca abandonaram o ofício.
— E o que quer que a gente faça? — perguntou Luca, erguendo uma sobrancelha.
— Quero que passem em Azalea e deixem a Bola GS com ele — respondeu Mr. Pokémon. — Kurt é um dos poucos que talvez consiga entender essa tecnologia… ou o que quer que esteja trancado aí dentro.
— Só isso? — insistiu Luca.
Mr. Pokémon soltou uma risadinha.
— Não, não. Já avisei a ele que vocês devem permanecer um tempo por lá. Azalea tem um ginásio, é uma cidade tranquila e pacata. E Kurt tem espaço de sobra. Vai recebê-los bem.
Ele estendeu um cartão de visitas para Pierce, que o pegou com cuidado e leu em voz alta:
— Rua Tsutsuji, número 467.
— Fica no lado oeste da cidade — explicou Mr. Pokémon. — Uma região mais antiga, cheia de árvores e casas baixas. Não tem como errar, a casa de Kurt é a maior delas.
Houve uma breve pausa enquanto todos assimilavam as informações.
— Bem, antes de seguirem viagem, pensei em fazer uma pequena parada — continuou Mr. Pokémon. — Há um sítio arqueológico aqui perto. Um dos meus antigos alunos, o professor Spencer Hale, está liderando as escavações desde que o velho Silktree se aposentou. Achei que gostariam de conhecer.
— Não estamos com pressa — disse Ren, dando de ombros. — Pode ser interessante.
Lyra assentiu, curiosa. Pierce trocou um olhar rápido com Luca, que deu um sorrisinho de canto.
— Tudo bem — respondeu ele. — Vamos nessa. Mas eu posso pedir outro Cinnabar Lava Burger antes?
Aleks
Rota 36, Johto
Os olhos de Aleks estavam vidrados no Pokémon que sobrevoava o lago. A criatura insecta tinha um corpo longo e avermelhado, com dois pares de asas translúcidas que batiam tão rápido que pareciam apenas um borrão no ar. O zumbido constante ecoava pelas margens cobertas de taboas, e o movimento ágil da libélula transmitia a ilusão de que ela pairava sem peso algum sobre a água cristalina. Aleks engoliu em seco. Se estivesse certo, aquele inseto era um Yanma.
Observando a libélula de longe, ele segurava uma Friend Ball em mãos, preparando-se para atirar, sem cogitar entrar em batalha. Se conseguisse capturar o Yanma logo, ainda teria tempo de voltar a Violet e pegar o ônibus para Azalea. Mas capturar a libélula não era tarefa fácil. Ele já a perseguia há três horas, e a frustração de vê-la escapar repetidas vezes era ofuscada apenas pela admiração que sentia ao observá-la em voo. O modo como o Pokémon cortava o ar com movimentos fluidos e elegantes o tornava perfeito para os concursos, e Aleks sabia que não poderia deixá-lo escapar.
— Ele já está na mira, Ilya — murmurou para seu Aipom, que repousava atento em seu ombro. O pequeno macaco inclinou a cabeça, seus olhos fixos na presa.
Aleks então virou-se para sua Bellsprout, oculta entre os juncos. Tatiana aguardava em silêncio, suas folhas balançando suavemente ao vento, pronta para agir no momento certo.
— Na contagem de três — continuou Aleks, sem desviar o olhar da libélula. — Tatiana usa o Sleep Powder, e então atiramos a Pokébola.
A Bellsprout flexionou o caule em resposta. Aleks ergueu a mão, os dedos se movendo lentamente no ar. Um. Dois. Três.
No mesmo instante, um brilho azulado se espalhou pelo vento quando Tatiana soprou uma nuvem de pó sonífero na direção do Yanma. O inseto mal teve tempo de reagir. Suas asas vacilaram, e o Pokémon começou a cair, como se o peso que antes não possuía repentinamente o puxasse em direção à água. Mas Aleks estava pronto.
Com precisão cirúrgica, ele atirou a Friend Ball, que girou no ar antes de engolir a libélula em um feixe de luz vermelha. A esfera caiu na margem do lago e começou a tremer. Uma vez. Duas. Três. Click.
O silêncio pairou por um instante antes de Aleks soltar o ar que nem percebera estar segurando. Um sorriso se formou em seu rosto enquanto ele pegava a Pokébola e a segurava próximo ao corpo.
— Isso! — exclamou, erguendo a Friend Ball para o céu. — E a tempo de voltar pra Violet para pegar o ônibus para… Espera, que horas são?
A euforia durou pouco. Aleks pegou o celular e verificou as horas. Já passava das onze. O ônibus tinha saído trinta minutos atrás, e não haveria outro para Azalea pelos próximos dois dias inteiros.
— Ah, não… — murmurou, sentindo a frustração se instalar. — Mas que merda! Achei que iria dar tempo…. Eu não quero ter que ficar plantado em Violet pelos próximos dois dias, que ódio!
Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos louros. Durante a perseguição ao Yanma, havia se embrenhado tanto na mata que perdera completamente a noção do tempo. Estava longe demais da cidade de Violet para voltar agora.
— Acho que seria melhor se eu parasse em algum lugar antes de prosseguir viagem — disse a si mesmo, puxando o PokéGear do bolso e abrindo o mapa, tentando se situar melhor.
A tela mostrava sua posição em meio a uma área densa e isolada da Rota 36 há alguns quilômetros de Violet. Árvores altas e petrificadas cobriam boa parte da rota, lançando sombras compridas sobre o chão. Se houvesse algum entreposto ou abrigo por perto, ele precisaria encontrá-lo logo, já estava um bocado cansado e o estômago roncava um pouco.
Aleksey andou por mais alguns metros, distraído, com a cara no celular tentando se localizar no mapa. Ele estava mais perto de um sítio arqueológico que de um entreposto de treinadores onde ele poderia parar para descansar, por sorte o lugar estava aberto a visitação e talvez teria uma lanchonete ou um food truck já que era um ponto turístico.
O menino virou mais a sul, a caminho de uma bifurcação entre as árvores opalizadas da Rota 36. Com os olhos violáceos focados no celular, ele não via por onde andava, confiante de que se seguisse o mapa logo estaria no tal sítio arqueológico, mas quando menos percebera ele dera de cara com algo. Melhor, com alguém. Caindo no chão em seguida, seu PokéGear caindo de tela para baixo.
— Ei, não tem olho na cara não, porra! — xingou alguém.
— Foi mal, eu não estava vendo por onde eu estava indo… — ainda atordoado ele massageou as têmporas e se levantou, pegando seu celular que havia trincado a tela com a queda. — Ei, meu PokéGear, cara! Qualé!
Ele virou seu olhar para a pessoa com quem tinha trombado, era um garoto da sua faixa etária, com cabelos ruivos intensos, tão vermelhos que eram da cor de sangue. Ele vestia uma jaqueta de motoqueiro que parecia pesada e inapropriada para o calor que fazia naquele dia.
— Se seu celular quebrou o problema é seu — reclamou o ruivo. — Não olha por onde anda não?
— Eu já disse, eu estava distraído, não vi por onde estava indo! — exclama Aleksey. — Me desculpa…
— Silver! — alguém gritou, passos vinham naquela direção.
Era uma garota. Uma garota baixinha com cabelos em um corte hime na altura das bochechas usando um cardigã e uma saia plissada. Logo atrás dela vinha um menino um pouco mais alto com cabelos azuis que acortinavam a testa. Ambos tinham olhos em uma tonalidade âmbar-dourada que parecia captar fragmentos de luz colorida nas íris como migalhas de um arco-íris. Talvez fossem irmãos.
— O que aconteceu? — perguntou o menino.
— Eu fui derrubado por esse poste louro ali — aponta o ruivo.
— Cala a boca, eu já pedi desculpas, pequepê, hein! — resmunga Aleks. — Você não ouviu meu pedido de desculpas? Eu falei que não vi por onde estava indo e se eu não tivesse trombado em você meu celular também não tinha se espatifado.
— Claro, põe a culpa em mim por você ser desastrado assim — comenta Silver, revirando os olhos. — Você que tromba em mim e eu sou culpado por que seu celular quebra? Ah, vai pra porra, vai…
— Ei, não vamos começar uma briga aqui, okay — intervém a menina. — Nos desculpe por Silver. Ele não tinha a intenção de dizer isso.
— Eu tive sim — ele se afastou, batendo com as botas contra o chão, levantando caracóis de poeira em seu rastro. — Vamos logo, temos que sair daqui o quanto antes. Temos que chegar a Azalea o quanto antes.
— Vocês também estão indo para Azalea? — perguntou Aleks, talvez ele pudesse seguir viagem com eles mesmo com um deles sendo um desastre ruivo ranzinza. — Eu também estou indo para lá. Teria algum problema eu ir com vocês?
— Ir conosco…? — indaga a menina, dando um passo para trás.
— Sim, é que eu meio que estou bem perdido — ele coçou a nuca. — E eu não estou nada a fim de ficar ilhado em Violet esperando o ônibus para Azalea daqui há dois dias. Vocês também estão indo para lá, né? Não faria mal ter mais uma pessoa com vocês.
— Ah, faria sim — resmunga Silver. — Não precisamos de uma quarta pessoa no grupo. Cai fora!
— Não precisa ser grosso — devolve Aleks. — Só fiz uma pergunta e ela nem foi feita pra você.
— Ignora o Silver — diz o menino de cabelos azuis. — Esse é o “normal” dele. Ele é ranzinza por natureza. Pode vir com a gente, não vejo problema. Qual o seu nome mesmo?
— Aleksey, mas geralmente me chamam de Aleks — se apresenta o coordenador para os irmãos.
— Eu sou… — ele hesitou um pouco na hora de apresentar-se. — Kousei e essa é a minha irmã gêmea, Tomoki.
— O-oi — a garota acenou.
— O ranzinza ali é o Silver, apesar de ser mau encarado ele é gente boa — Kousei aponta para o colega de viagem que estava logo a frente. — Bem. Ao menos ele tenta…
— Ei, seus molengas, andem logo — reclamou Silver. — Eu não tenho todo o tempo do mundo. Se apressem e tragam o pet novo de vocês!
— Pet?
— É melhor a gente ir andando — diz Tomoki.
Ren
Ruínas de Alph, Johto
Ren nunca havia visto as escavações de uma ruína antes. Não ao vivo. Ele sempre imaginou que seria mais emocionante, como nos documentários da TV, cheios de arqueólogos empolgados limpando fósseis com pincéis minúsculos, ou melhor ainda, como nos filmes de aventura, onde exploradores destemidos invadiam templos amaldiçoados em busca de relíquias milenares, evitando armadilhas mortais pelo caminho.
Mas a realidade estava longe disso.
As Ruínas de Alph eram… chatas. Ao menos o museu anexo tinha algo interessante para se ver: enormes placas de pedra cobertas de escrita hieroglífica indecifrável, estátuas de pedra de criaturas antigas e algumas teorias sobre a origem de um grupo de Pokémon chamados Unown, do qual Ren não conhecia muito sobre, mas, fora isso, era apenas um monte de corredores de pedra e painéis informativos. Nenhuma maldição ou passagem secreta escondida atrás de uma estante falsa, nenhum enigma misterioso esperando para ser resolvido. Nada que fosse interessante o suficiente para captar sua atenção.
Ele olhou ao redor, observando os outros visitantes. Havia alguns treinadores explorando o local, alguns turistas curiosos e um grupo de pesquisadores analisando um fragmento de cerâmica como se fosse a coisa mais fascinante do mundo. Ren suspirou. Talvez acompanhar uma escavação de verdade fosse mais interessante do que apenas olhar para o que já havia sido encontrado e catalogado.
Os quatro adolescentes caminhavam sem muita pressa pela exposição, enquanto aguardavam o antigo aluno do avô de Pierce, um tal de Spencer Hale. Contudo, até aquele momento, não havia sinal dele.
— Antigamente, as expedições e escavações das Ruínas de Alph costumavam ser lideradas por um velho amigo meu, o Professor Silktree — explicou Mr. Pokémon, quebrando o silêncio. Sua voz carregava um tom de nostalgia. — Porém, ele decidiu passar as rédeas para Spencer, um dos meus alunos. É bom ver como ele tem administrado este espaço, permitindo aprendizado e dando a oportunidade para que treinadores explorem algumas das ruínas e capturem os Pokémon que vivem por aqui.
Ren lançou um olhar para os arredores. Mesmo que as ruínas em si não fossem tão impressionantes quanto ele esperava, o cenário ao redor tinha algo de fascinante. A floresta que cercava as ruínas era peculiar, composta por árvores petrificadas, de troncos duros e acinzentados como se fossem feitas de pedra. O ambiente tinha uma aura estranha, quase fora do tempo. Entre os galhos ressequidos, pequenos Natu empoleiravam-se, observando o grupo com seus olhos brilhantes e atentos. Perto dali, Smeargle corriam pela vegetação baixa, suas caudas-pincel deixando rastros coloridos nos troncos das árvores fossilizadas, como se estivessem pintando um mural.
— Bem, venham comigo — disse Mr. Pokémon, ajeitando a alça da bolsa. — Avisei Spencer que estávamos vindo. Ele deve estar nos aguardando em seu escritório.
Os adolescentes o seguiram por um corredor lateral do museu, uma área que parecia reservada ao pessoal autorizado. O piso de madeira antiga rangia levemente sob seus passos, e o ar ali dentro tinha um cheiro peculiar: uma mistura de cera de chão envelhecida, poeira acumulada e algo levemente metálico, que fazia o nariz arder discretamente.
Ao chegarem diante de uma porta de madeira reforçada, encontraram-se com uma mulher de jaleco branco, cabelos loiros ondulados presos num coque frouxo e pele oliva com um bronzeado dourado pelo sol. Ela estava acompanhada por dois adolescentes idênticos, gêmeos, talvez, vestidos com roupas de cores contrastantes. Ambos estavam de cabeça baixa, absortos em seus celulares, provavelmente entretidos com algum joguinho.
O que realmente chamou a atenção de Ren, no entanto, foi o grupo incomum de Pokémon ao lado deles.
O maior entre eles era uma criatura bípede de aparência artrópode, coberta por uma carapaça exoesquelética marrom e rígida. A cabeça, achatada e semicircular, terminava em bordas afiadas como lâminas. O tronco esbranquiçado e os longos braços em forma de foices ósseas davam-lhe uma aparência predatória, quase ameaçadora. Ren sentiu um calafrio subir pela espinha só de encarar a criatura.
Ao lado do artrópode havia dois Pokémon de aparência claramente dinossauriana. Um deles era um pequeno terópode de pele cinza-escura, com um domo ósseo azul no topo da cabeça, cercado por espinhos brancos como presas. Faixas da mesma cor azul corriam ao longo de suas costas. O outro era menor, corpulento e com traços de um ceratopsídeo: a pele amarelada contrastava com o rosto envolto por um escudo facial metálico de tom cinza-escuro, pontuado por uma protuberância clara acima do nariz, como um chifre em formação.
Por reflexo, Ren puxou a Pokédex que havia recebido de Mr. Pokémon e escaneou os três Pokémon desconhecidos.
Kabutops, o Pokémon Marisco. Tipo Pedra e Água. Um predador dos mares antigos, adaptou-se à vida terrestre quando suas presas migraram para o ambiente seco. Suas guelras atrofiaram, e seus membros tornaram-se mais ágeis. Utiliza suas foices ósseas para fender suas vítimas e extrair fluidos internos com precisão assustadora.
Cranidos, o Pokémon Cabeçada. Tipo Pedra. Originário de florestas do Cretáceo Tardio, caçava com investidas brutais, usando seu crânio espesso como arma. Fósseis de árvores rachadas nas camadas sedimentares sugerem que ele era capaz de destruí-las com a própria cabeça.
Shieldon, o Pokémon Escudo. Tipo Pedra e Metal. Um herbívoro tranquilo que vivia nas mesmas florestas que Cranidos. Seu escudo facial servia como defesa contra predadores, protegendo a parte frontal do corpo, embora o deixasse vulnerável por trás.
Então, eram Pokémon fósseis. Ren nunca havia visto um ao vivo, apenas em documentários do National PokéGraphic ou filmes. Encantado, ele guardou a Pokédex no bolso e ergueu o olhar de volta ao trio postado diante da porta do escritório.
A mulher de jaleco pareceu finalmente notar a presença deles. Ergueu os olhos verdes, e ao reconhecer Mr. Pokémon, abriu um sorriso largo, como quem reencontra uma figura querida do passado.
— Santa Mãe de Ho-Oh, eu não a-cre-di-to! — exclamou ela, com genuína surpresa. — Professor, é você? Se lembra de mim? Sou eu, a Ossie!
— Ossie? — Mr. Pokémon arqueou uma sobrancelha por trás dos óculos. — Oh… Osmunda Wehrii! Como vai? Você cresceu, da última vez que nos vimos ainda estava na universidade, lá em Goldenrod. O que veio fazer aqui nas Ruínas de Alph, Wehrii querida?
— Pois é! — disse ela, rindo. — Fui convidada pelo Dr. Hale para auxiliar nas pesquisas. Já tinha interesse nas jazidas fossilíferas do Cambriano Tardio aqui no vale, e quando ele me ligou... bem, fiz as malas e vim direto pra cá.
Ela então lançou um olhar curioso para os quatro adolescentes ao lado do velho professor.
— E essas figurinhas? São seus novos pupilos, Charles?
Mr. Pokémon sorriu, como se já esperasse a pergunta, ajustando os óculos com um gesto familiar. Um brilho de orgulho surgiu em seus olhos enquanto ele apoiava uma mão no ombro de cada garoto.
— Estes são meus netos. Pierce, filho da minha filha Christina, e Luca, meu neto por parte do meu genro.
— Muito prazer — disse Pierce, dando um passo à frente com um sorriso confiante e educado.
— Oi — murmurou Luca, acenando brevemente, evitando encarar a mulher diretamente.
— Que adoráveis! — exclamou Osmunda, rindo, e sem hesitar, apertou de leve as bochechas dos dois. Pierce soltou uma risadinha tímida, enquanto Luca apenas suspirou, resignado. — E vocês dois ali atrás?
— Lyra — respondeu a garota sem hesitar, levantando a mão em um gesto rápido. — Lyra Winterfeldt.
— Ren — disse o garoto, ainda meio hipnotizado pelos Pokémon fósseis por perto.
— Um prazer conhecer todos vocês — disse Osmunda calorosamente, com um sorriso acolhedor. — Estes são meus sobrinhos, Orion e Kessil. Meninos, larguem esses celulares e tentem agir como seres humanos por dois minutos, por favor?
Os gêmeos levantaram os olhos dos celulares como se estivessem emergindo de águas profundas. Eram realmente idênticos com traços finos, os mesmos olhos verde-folha e cabelos loiros lisos. Um deles usava os fios espetados com uma mecha vermelha em destaque, como uma pequena chama; o outro mantinha o cabelo baixo e preso em um rabo de cavalo baixo, com uma mecha azul caindo suavemente atrás da orelha.
As roupas combinavam com as mechas coloridas: o primeiro vestia uma jaqueta vermelha sobre uma camiseta preta e bermuda cargo; o outro, um moletom azul e jeans largos.
— E aí — disse o de azul.
— Coé… — disse o de vermelho, lançando um olhar por cima do celular. Seus olhos pousaram em Lyra, e um sorriso enviesado surgiu em seu rosto. — Eita, Kessil, a garota de vermelho é mó gatinha, hein?
— A de cabelo roxo também não é nada mal, Orion…
Seguiu-se um silêncio breve, carregado de tensão.
Lyra arqueou uma sobrancelha com desdém, cruzando os braços lentamente. Seu olhar permaneceu firme e inexpressivo, mas o recado estava claro: ela não tinha gostado do comentário. Ren, que havia ficado de pé ao lado dela, enrubesceu, incerto se devia rir, fingir que não ouviu ou simplesmente desaparecer.
— Eu sou um menino… — disse ele por fim, num tom seco, lançando um olhar desconfortável na direção dos gêmeos. — E meu cabelo é fúcsia.
Mr. Pokémon pigarreou alto, com um olhar de advertência que não deixava margem para dúvidas.
— Orion, Kessil, modos! — ralhou Osmunda, sem perder a compostura, embora sua voz carregasse uma firmeza afiada. — O que foi que eu disse sobre primeiras impressões?
— Desculpa, tia Ossie… — murmurou o de vermelho, abaixando o celular.
— Malzão aí, tia Ossie — completou o de azul, Kessil, coçando a nuca como se estivesse sinceramente arrependido ou só fingindo bem.
— Peço desculpas pelos meus sobrinhos — disse a Dra. Wehrii, soltando um suspiro cansado e passando a mão pelos cabelos. — São ótimos com fósseis, drones e computadores, mas socialização ainda é um território em escavação.
Ela fez uma breve reverência, visivelmente constrangida.
— Mil perdões.
— Está tudo bem, tudo bem, eu sei como adolescentes podem ser — respondeu Mr. Pokémon com um sorriso indulgente. — Agora, vamos? Aposto que Spencer está nos esperando, e você sabe que ele odeia atrasos.
Antes de abrirem as portas do escritório, passos ribombaram pelo corredor em pressa, eram de um garoto da idade deles, com cabelos cacheados e volumosos, usando óculos arredondados que escorregavam ligeiramente pelo nariz. Em seu pescoço havia um crachá de estagiário com seu nome escrito: Khoury Saint-James. Ele levantou a cabeça ao vê-los e acenou animado.
— Mr. Pokémon! Dra. Wehrii! — chamou o garoto, caminhando na direção deles. — O Professor Hale está esperando vocês nas ruínas ao sul.
— Oh? Ele não está no escritório? — Mr. Pokémon arqueou as sobrancelhas, surpreso. — Velhos hábitos nunca mudam, não é mesmo?
Ele soltou uma risada baixa e cruzou os braços, pensativo.
— Poderia dizer a ele que dei um oi? — continuou o idoso. — Não tenho intenção de permanecer nas ruínas, eu preciso ir logo.
— Já vai Charles? — pergunta a dra. Wehrii.
— Infelizmente não ia ficar por muito tempo, ainda tenho algumas pesquisas a conduzir no laboratório e cuidar da fazenda — ele diz. — Queria ver Spencer antes de ir, mas não vai ser possível.
— Poxa, vovô, achei que iria ficar mais com a gente — disse Pierce, seu rosto murchou um pouco.
— Eu sei que irão aproveitar mais que eu — disse ele.
— Bem, meu caro, hã… Khoury — a dra. Wehrii leu o crachá do garoto. — Por que não esperamos pelos outros lá fora. Meninos, venham. Deixem o Mr. Pokémon a sós com os garotos.
Ren suspirou, lançando um último olhar para os corredores silenciosos ao redor antes de retornar a atenção para Mr. Pokémon. O idoso apoiou as mãos no topo da bengala e observou os quatro com um olhar afetuoso.
— É aqui que me despeço, crianças. Foi muito bom ver cada um de vocês, e espero que a jornada daqui para frente seja promissora. Mas, conhecendo vocês, sei que vai ser — disse o velho cientista com um largo sorriso no rosto. — Antes de ir, tenho um último presente coletivo para vocês.
O Xatu de Mr. Pokémon, que o acompanhava pacientemente até então, inclinou-se e entregou-lhe uma sacola. De dentro, o cientista retirou um dispositivo peculiar, era do tamanho de um modem de internet, com uma tela preta retrátil e uma plataforma circular na base. Ren nunca tinha visto nada parecido, e, pelo olhar de seus amigos, soube que eles também não.
— Como devem saber, o sistema de armazenamento de Pokémon na região de Johto é gerenciado por Bill, assim como em Kanto — explicou Mr. Pokémon. — Quando um treinador de Kanto ultrapassa o limite de seis Pokémon, eles são enviados automaticamente para o laboratório do Professor Carvalho. Já em Johto, esses Pokémon são mandados para a minha fazenda.
Ele fez uma pausa, sorrindo ao perceber os olhares curiosos.
— Bem… devo estar enrolando — riu brevemente. — Isto aqui é um Pokémon Box Link. Será de grande utilidade para vocês na estrada. Com ele, poderão rotacionar os Pokémon da equipe ou enviá-los para mim sem precisar de um computador no Centro Pokémon.
— Que legal! — exclamou Pierce, pegando o aparelho para analisá-lo mais de perto.
— Não é? — sorriu o avô. — Este é um modelo experimental, então quis que vocês fossem uns dos primeiros a testá-lo. Cuidem bem dele. Além disso… considerem isso como uma forma de manter contato comigo. Quando sentirem minha falta, basta me mandar uma mensagem pelo aparelho. Eu, com certeza, sentirei muita falta de vocês.
Luca foi o primeiro a se aproximar e dar um abraço apertado no avô.
— Pode deixar, vô-drasto — disse ele, com um sorriso sincero. — Faça uma boa viagem de volta.
— Foi bom ver você, Mr. Pokémon — acrescentou Lyra, abraçando-o em seguida.
Os outros seguiram o gesto, despedindo-se um a um. O cientista os observou com carinho antes de dar um último aceno e se afastar junto de seu Xatu, deixando-os ali no museu. Mas os quatro não ficaram parados por muito tempo, eles ainda tinham um encontro com o Professor Spencer Hale nas ruínas ao sul.


















